ULTIMAS

Crise no STF se agrava com troca de acusações no caso Banco Master

A crise no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou uma nova dimensão nos últimos dias com a troca de acusações entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça durante os desdobramentos das investigações sobre o Banco Master. O caso envolve mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e já atingiu também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O episódio começou a ganhar força depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que reúne mensagens de Vorcaro e referências a Moraes. O material passou a levantar questionamentos sobre a proximidade entre o ministro e o empresário, além de encontros e tratativas envolvendo o Banco Master.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, as mensagens recuperadas do celular de Vorcaro mostram que o ex-banqueiro procurou Moraes às vésperas de sua prisão e chegou a perguntar se deveria deixar o país. O relatório também registra contatos entre os dois ao longo de meses.

Outro ponto que aumentou a repercussão foi a existência de um contrato de mais de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. O ministro e sua família são alvo de questionamentos políticos e públicos sobre o episódio, embora as informações divulgadas até agora não estabeleçam, por si só, uma conclusão de irregularidade criminal.

Moraes reage e mira Mendonça

A reação de Moraes veio na quinta-feira (3), quando o ministro pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que fossem apuradas possíveis irregularidades cometidas por Mendonça na condução do caso Master.

Moraes acusou o colega de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Na avaliação apresentada pelo ministro, Mendonça teria direcionado a investigação contra autoridades específicas e extrapolado suas atribuições na condução do caso.

O contra-ataque aumentou a tensão dentro da Corte porque colocou dois ministros do STF em lados opostos de uma disputa que envolve diretamente uma investigação conduzida dentro do próprio Supremo.

A crise também ganhou outro elemento quando veio à tona que Mendonça havia se reunido com Vorcaro em 2025. O ministro confirmou o encontro e afirmou que a conversa estava relacionada a um processo envolvendo precatórios de interesse do Banco Master, ressaltando que posteriormente votou contra o empresário no julgamento.

Fachin tenta controlar a crise

Diante do conflito, Fachin decidiu assumir o controle institucional do episódio. O presidente do Supremo determinou que Moraes, Mendonça, Gonet e Andrei Rodrigues apresentem esclarecimentos sobre os fatos relacionados ao relatório da Polícia Federal.

O prazo determinado foi de cinco dias. Depois de receber as manifestações, Fachin poderá avaliar os próximos passos e, caso considere necessário, levar questões ao plenário do Supremo.

O presidente da Corte também retirou do inquérito das fake news o documento apresentado por Moraes contra Mendonça e determinou que o material seja analisado em procedimento separado, sob sua relatoria. Segundo Fachin, a medida não representa antecipação de julgamento sobre a validade das acusações.

Fachin tem defendido uma resposta institucional para tentar impedir que o confronto entre ministros aprofunde a crise de confiança no tribunal. Entre as propostas discutidas está a criação de um código de ética para o STF, além da possibilidade de encerramento do inquérito das fake news.

E o que pode acontecer agora?

Um dos principais pontos que devem chegar ao plenário é justamente a validade dos procedimentos adotados por Mendonça para acessar e divulgar informações relacionadas às mensagens de Vorcaro.

O procurador-geral da República pediu a anulação do relatório da PF utilizado por Mendonça, argumentando que o ministro teria provocado uma investigação sem autorização prévia do plenário. A questão pode se transformar em uma disputa jurídica central para definir até onde um ministro pode avançar individualmente em uma investigação que envolve outro integrante da própria Corte.

Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que o plenário terá papel decisivo caso seja discutida uma eventual investigação formal contra Moraes. O professor de direito constitucional Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense, afirmou à CNN que a tendência seria de dificuldade para formar maioria no tribunal para autorizar uma investigação.

A discussão, porém, não se limita à possibilidade de investigar Moraes. O próprio Mendonça passou a ser alvo de questionamentos sobre sua atuação no caso Master, o que coloca o STF diante de uma situação incomum, com ministros questionando formalmente a conduta uns dos outros.

O professor Luiz Fernando Esteves, do Insper, avaliou à CNN que um dos primeiros pontos a ser analisado pelo tribunal deveria ser justamente a validade do relatório da PF. A partir dessa decisão, o Supremo poderia avançar para a discussão sobre eventual excesso na atuação de Mendonça.

Crise ultrapassa os limites do STF

O caso deixou de ser apenas uma disputa interna entre ministros. A crise já provoca repercussões políticas e aumenta a pressão sobre a Corte em um momento de forte polarização no país e às vésperas das eleições de 2026.

A revelação dos contatos entre Vorcaro e autoridades, somada às acusações entre ministros, abriu uma nova discussão sobre transparência, conflitos de interesse e limites da atuação individual dos integrantes do Supremo. A própria Folha classificou o episódio como uma das maiores crises institucionais da história recente da Corte.

Agora, a tendência é que o plenário tenha de enfrentar pelo menos três questões centrais: a validade do relatório da PF, os limites da atuação de Mendonça na investigação e a possibilidade de avanço de apurações envolvendo Moraes.

Enquanto isso, Fachin tenta evitar que a disputa entre os ministros se transforme em uma crise ainda maior para o próprio Supremo. A decisão sobre os próximos passos poderá definir não apenas o destino das investigações do Banco Master, mas também estabelecer novos limites para a atuação dos próprios ministros da Corte.

Fonte: Clique aqui

Gostou dessa postagem?
Compartihe..