Putin recebe enviados de Trump em Moscou
O líder da Rússia, Vladimir Putin, iniciou neste sábado (5) conversas sobre a Ucrânia com os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, que chegaram hoje a Moscou para reavivar o estagnado processo de paz que tenta pôr fim ao conflito iniciado pelos russos em 2022 e que já deixou centenas de milhares de mortos.
“A situação que vamos tratar hoje não é, obviamente, fácil”, disse Putin no início do encontro, no qual saudou seus interlocutores em inglês: “Welcome. Nice to meet you”.
Acrescentou que, “antes de tudo”, queria transmitir “os melhores desejos” e “palavras de agradecimento” ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Da reunião, que ocorreu no Grande Palácio do Kremlin, participou também o assessor de política internacional do Kremlin, Yuri Ushakov, e o emissário presidencial para a cooperação econômica com os EUA, Kirill Dmitriev.
Os emissários dos EUA chegaram pouco depois do meio-dia a Moscou, mas Putin teve hoje uma agenda lotada devido ao Dia de Moscou e a outros atos de cunho eleitoral, já que a Rússia realiza eleições legislativas em duas semanas.
A reunião, a primeira desde 22 de janeiro, ocorre menos de duas semanas após a visita a Moscou do diretor da CIA, John Ratcliffe.
Após a reunião de hoje, Witkoff, um empresário e parceiro de golfe de Trump, e Kushner, genro do presidente americano, viajarão a Kiev para se encontrarem com o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.
A fim de facilitar a chegada dos mediadores americanos, Putin e Zelenski ordenaram a suspensão por três dias dos ataques aéreos contra as capitais de seu inimigo, Kiev e Moscou. Masa Ucrânia denunciou que ataques russos continuaram.
Trump reconheceu ontem à noite que seus enviados “levam consigo uma proposta para pôr fim à guerra. Porque – enfatizou – eu pus fim a oito guerras”.
Putin mostrou-se nesta semana disposto a receber Witkoff e Kushner, mas rejeitou, por enquanto, tanto um cessar-fogo prolongado quanto uma possível cúpula tripartite com EUA e Ucrânia, a não ser que seja para assinar a paz definitiva.
As negociações russo-ucranianas estão estagnadas desde fevereiro, quando começou a operação militar de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Tanto a Rússia quanto os EUA consideram que perderam toda a validade os entendimentos alcançados na cúpula russo-americana de agosto de 2025 no Alasca, onde, segundo a imprensa, Moscou se mostrou disposta a congelar o front no sul em troca de a Ucrânia ceder todo o Donbass.
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