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PF aponta mensagens sobre emendas atribuídas a Valdemar e cita diálogo sobre R$ 24 milhões

A Polícia Federal afirmou que mensagens obtidas durante a Operação Transparência reforçam a suspeita de que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, participou da indicação e do redirecionamento de emendas parlamentares mesmo sem exercer mandato eletivo. A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos e aponta que cerca de R$ 119 milhões, referentes a 21 emendas parlamentares, teriam sido movimentados de forma irregular.

Segundo a investigação, a PF chegou ao nome de Valdemar após analisar conversas entre a ex-assessora da Presidência da Câmara, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, e o advogado Garigham Amarante Pinto, que atua junto à liderança do partido na Câmara dos Deputados.

Entre as mensagens destacadas pelos investigadores, uma conversa menciona a destinação de aproximadamente R$ 24 milhões para a área de Turismo. Em um dos diálogos, Garigham pergunta se o valor destinado ao presidente do partido estaria definido e recebe como resposta: “Se puder trocar tudo turismo ótimo”. Em seguida, responde: “24 milhões tá bom”.

Para a Polícia Federal, as conversas indicam que Valdemar participava das definições sobre a distribuição de recursos das emendas parlamentares. Em outra troca de mensagens, uma servidora da Câmara afirma que “as do Valdemar já estamos terminando de cadastrar”, referência interpretada pelos investigadores como indicativos das emendas atribuídas ao dirigente partidário.

Flávio Dino cita “arranjo decisório paralelo”

Na decisão que autorizou medidas cautelares, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que as investigações apontam para a existência de um “arranjo decisório paralelo” destinado à distribuição de verbas públicas.

Segundo o ministro, Mariângela Fialek, Nara Benedetti Nicolau Brum e Garigham Amarante Pinto teriam atuado na organização e processamento das indicações de emendas sob orientação de Valdemar Costa Neto.

Dino também afirmou que o advogado do PL exercia papel de intermediário entre o núcleo político e a estrutura administrativa responsável pela execução das indicações, funcionando, segundo a decisão, como um “verdadeiro emissário” do presidente da legenda.

Defesa contesta decisão

Os advogados Marcelo Bessa e Thiago Fleury, responsáveis pela defesa de Valdemar Costa Neto, divulgaram nota afirmando que a decisão do STF se baseia em “premissas frágeis, inferências subjetivas e em uma indevida criminalização da atividade político-partidária”.

A defesa sustenta que o presidente do PL jamais praticou qualquer crime e argumenta que é natural, dentro do sistema democrático, que um dirigente partidário mantenha diálogo permanente com parlamentares e participe das articulações políticas da legenda.

Os advogados também destacam que a Procuradoria-Geral da República se manifestou contrariamente às medidas cautelares impostas e afirmam que não existe demonstração de dolo, fraude ou benefício pessoal obtido por Valdemar.

Flávio Bolsonaro critica investigação

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, saiu em defesa do presidente do partido e criticou a atuação da Polícia Federal.

Em manifestação pública, o parlamentar afirmou que considera natural a atuação política de Valdemar junto à bancada do PL e acusou a PF de agir de forma seletiva contra adversários políticos do governo federal.

A investigação segue em andamento no Supremo Tribunal Federal, enquanto a Polícia Federal aprofunda a análise das mensagens, planilhas e documentos apreendidos durante a Operação Transparência.

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