Contas da Bahia acumulam déficit de R$ 7,3 bilhões no governo Jerônimo
As contas públicas da Bahia sofreram uma forte mudança durante os primeiros anos do governo Jerônimo Rodrigues (PT). Levantamento publicado pela Folha de S.Paulo mostra que o Estado saiu de um superávit primário de cerca de R$ 8,5 bilhões em 2022 para uma previsão de déficit acumulado de R$ 7,3 bilhões ao longo da atual gestão.
O contraste chama atenção porque Jerônimo recebeu o governo com uma situação fiscal considerada favorável. Segundo os dados apresentados pela Folha, o resultado primário de 2025 ficou negativo em R$ 3,3 bilhões, enquanto a projeção para o fim do mandato aponta para um déficit ainda maior.
A deterioração também aparece na disponibilidade financeira. O saldo livre do Poder Executivo, que estava em aproximadamente R$ 6,6 bilhões em 2022, caiu para R$ 3 bilhões em 2023 e chegou a cerca de R$ 900 milhões em 2025, segundo os números publicados pelo jornal.
Investimentos
O governo baiano argumenta que a redução das reservas está relacionada à utilização dos recursos para ampliar os investimentos públicos. De acordo com a Folha, os investimentos passaram de R$ 23,4 bilhões na gestão anterior, entre 2019 e 2022, para R$ 29,1 bilhões no período de 2023 a 2026, em valores corrigidos.
A Secretaria da Fazenda também sustenta que a situação fiscal permanece sob controle, destacando a capacidade de pagamento e os limites legais de endividamento.
Os próprios dados oficiais mostram, entretanto, que a dívida consolidada da Bahia alcançou R$ 34,7 bilhões ao final de 2025. O relatório da Sefaz registra ainda R$ 4,23 bilhões em operações de crédito contratadas no ano.
Resultado fiscal
A avaliação das contas ganha peso político às vésperas da eleição estadual de 2026, na qual Jerônimo tenta permanecer no comando do Estado.
O cenário apresenta dois lados. De um lado, o governo ampliou os investimentos e afirma ter utilizado recursos disponíveis para financiar obras e serviços. De outro, os números apontam para uma redução expressiva do caixa livre e para resultados primários negativos em sequência.
Os dados oficiais da própria Sefaz mostram que o resultado primário, em valores corrigidos pelo IPCA, passou de R$ 1,08 bilhão positivo em 2022 para resultados negativos de R$ 1,20 bilhão em 2023, R$ 315 milhões em 2024 e R$ 1,45 bilhão em 2025.
A Secretaria da Fazenda afirma que a política adotada priorizou investimentos e infraestrutura. Em balanço divulgado sobre 2025, a pasta destacou redução de R$ 2,6 bilhões na dívida pública e afirmou que a Bahia manteve o equilíbrio fiscal, além de registrar R$ 20,8 bilhões em investimentos acumulados nos três primeiros anos da gestão.
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