Câmara quer mudar eleição de deputados e discute implantação do voto distrital misto
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula com lideranças partidárias uma mudança na forma de eleição de deputados federais, estaduais e vereadores. A proposta prevê substituir o atual sistema proporcional pelo chamado voto distrital misto, em uma reforma eleitoral que poderá começar a ser votada ainda em 2026.
A iniciativa ganhou força depois das eleições deste ano, quando o PL ampliou sua representação na Câmara e alcançou 121 deputados federais, sua maior bancada desde a redemocratização. O resultado reduziu o espaço de partidos do Centrão e fortaleceu a ala bolsonarista no Congresso Nacional.
A articulação é conduzida principalmente por partidos de centro, que defendem a alteração das regras eleitorais. Segundo informações divulgadas pela Agência Câmara e por veículos como CNN Brasil e Metrópoles, a proposta prevê uma transição em 2030 e a implementação definitiva do novo modelo em 2034.
Em reunião com representantes de partidos, no dia 28 de outubro, Motta afirmou que pretende discutir e, se houver acordo, votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda neste ano. O presidente da Câmara também pretende buscar apoio do PT, do PL e de outras legendas que ainda demonstram resistência.
O deputado Domingos Neto (PSD-CE) é apontado como provável relator da proposta. As negociações também envolvem o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Como funciona o voto distrital misto
Atualmente, os deputados são escolhidos pelo sistema proporcional de lista aberta. Nesse modelo, os votos recebidos pelos candidatos e pelos partidos são considerados no cálculo do quociente eleitoral, que determina quantas cadeiras cada legenda poderá ocupar.
O sistema permite que candidatos com votação expressiva, conhecidos como puxadores de votos, contribuam para a eleição de outros integrantes da mesma legenda que individualmente não alcançaram votação suficiente.
O voto distrital misto pretende combinar duas formas de escolha. Metade das cadeiras seria ocupada pelos candidatos mais votados em distritos eleitorais, enquanto a outra metade seria distribuída proporcionalmente entre os partidos, por meio de listas previamente organizadas pelas legendas.
Na prática, os estados seriam divididos em regiões eleitorais, e cada distrito escolheria seus representantes. Paralelamente, os partidos receberiam vagas de acordo com o desempenho eleitoral, preenchidas pelos nomes definidos em suas listas.
Os defensores afirmam que o modelo aproximaria os parlamentares das comunidades representadas, além de preservar a participação dos partidos na composição do Legislativo.
Centrão vê oportunidade de recuperar espaço
O crescimento do PL nas eleições de 2026 é um dos principais fatores por trás da movimentação política. Com 121 cadeiras, a legenda passará a ocupar aproximadamente 23,6% das 513 vagas da Câmara.
Já os partidos de centro perderam espaço em relação à composição eleita em 2022. Nesse cenário, lideranças defendem que a mudança pode reduzir a influência de candidatos com votações individuais muito elevadas e fortalecer a participação das estruturas partidárias.
Entre os defensores do distrital misto estão dirigentes como Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, e Ciro Nogueira, presidente do Progressistas.
O PL, por sua vez, demonstra resistência à proposta. A mudança pode reduzir a vantagem eleitoral proporcionada por candidatos com grande popularidade nas redes sociais, como Nikolas Ferreira (PL-MG), que obteve votação expressiva e ajudou a impulsionar outros nomes da legenda.
Distritão também está em discussão
Além do distrital misto, parlamentares discutem a possibilidade de adotar o chamado distritão, modelo no qual os candidatos mais votados em cada estado seriam eleitos, independentemente do desempenho coletivo dos partidos.
A alternativa também é defendida por parte dos deputados, mas enfrenta críticas de especialistas, que apontam o risco de favorecer candidatos com maior poder financeiro e dificultar a renovação política.
Uma das possibilidades em negociação é utilizar um modelo intermediário em 2030, com características do distritão, antes da implementação definitiva do distrital misto em 2034. Os detalhes ainda precisam ser definidos.
Proposta enfrenta resistência
A mudança também provoca questionamentos sobre representatividade política. Parlamentares do PSOL avaliam que o novo sistema pode prejudicar partidos menores e reduzir a participação de grupos historicamente sub-representados, como mulheres e negros.
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também manifestou preocupação com a possibilidade de o sistema distrital facilitar a influência de organizações criminosas em determinadas regiões, especialmente onde grupos ligados a facções e milícias exercem controle territorial.
Outro ponto de discussão é a definição dos distritos eleitorais. A proposta prevê utilizar critérios técnicos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com acompanhamento de uma comissão mista do Congresso Nacional.
Para os defensores da mudança, a divisão territorial poderá tornar as campanhas mais baratas e concentrar a atuação dos candidatos em regiões específicas, aproximando os representantes dos problemas enfrentados pela população.
Apesar do avanço das conversas, a reforma ainda depende de consenso entre as bancadas. Como se trata de uma PEC, a mudança precisará ser aprovada em dois turnos, tanto na Câmara quanto no Senado, com pelo menos três quintos dos votos em cada Casa.
maio 27, 2026Com presença da ONU, Encontro Nordeste do ICLEI Brasil debate... - Leia Mais...
março 29, 2026Brasil condena ação de Israel que barrou cardeal à Igreja... - Leia Mais...
maio 8, 2026Cinco pessoas são condenadas por rede de hotéis do PCC... - Leia Mais...
fevereiro 4, 2026Desenbahia amplia limites de financiamento para taxistas - Leia Mais...
outubro 19, 2026Justiça do Rio de Janeiro decreta encerramento da recuperação judicial... - Leia Mais...
janeiro 8, 2026Lewandowski entrega carta de demissão do Ministério da Justiça a... - Leia Mais...
fevereiro 23, 2026Ubatuba decreta situação de emergência após chuvas no fim de... - Leia Mais...
novembro 7, 2025Propósito da COP30 não é compreendido por quase metade dos... - Leia Mais...
maio 25, 2026Enem 2026: inscrições começam nesta segunda; prazo vai até 5... - Leia Mais...
dezembro 19, 2025Prefeitura antecipa salário de dezembro e segunda parcela do 13º,... - Leia Mais...
abril 23, 2026Caso Master: PF faz operação que mira fundo que investiu... - Leia Mais...
novembro 5, 2025Desastre de Mariana completa 10 anos e moradores ainda buscam... - Leia Mais...













