MPBA acompanha retorno de crianças aos pais que trabalharam como ambulantes na festa
“Deixei meus filhos aqui e sai apreensiva. No outro dia, vim visitar e fiquei tão feliz quando vi que eles estavam bem alimentados, cuidados pelas assistentes. Aquilo me tranquilizou pra trabalhar”. O relato é de uma ambulante de 30 anos de idade, mãe de duas crianças, de sete e dois anos, que precisou recorrer ao serviço municipal de acolhimento e convivência de crianças e adolescentes para conseguir trabalhar durante o Carnaval de Salvador. Andreza Souza registrou que deixar os filhos em uma unidade desconhecida foi um momento difícil, “mas, no final, fiquei feliz porque eles ficaram em um lugar com segurança, assistência e cuidado”, disse ela, com o sorriso estampado no rosto.
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A ambulante recebeu os filhos na manhã desta quarta-feira, dia 18, na Escola Municipal Casa da Amizade, no bairro de Ondina, uma das cinco unidades disponibilizadas pelo Município para o acolhimento temporário das crianças. Desde o início do Carnaval, dia 12, a escola acolheu 121 crianças de 0 a 17 anos. Às 10h de hoje, apenas 16 crianças aguardavam a chegada dos pais para pegá-las na unidade. O Ministério Público do Estado da Bahia acompanhou a devolução de crianças aos pais nas escolas. A promotora de Justiça Rita Tourinho, a psicóloga Lua Cal e a pedagoga Simeir Viana checaram o fluxo de desacolhimento, avaliaram a existência de intercorrências e verificaram a necessidade de sugerir melhorias para o próximo ano.
Segundo Rita Tourinho, “o MP, dentro da sua missão institucional, acompanhou a retirada das crianças das casas de acolhimento, onde mais de 600 crianças foram acolhidas” “Observamos a necessidade de ampliação da rede, no próximo ano, para que o serviço possa ser melhor
prestado, já que está ganhando a confiança dos pais que trazem suas crianças a essas casas para que possam trabalhar durante os festejos carnavalescos”, assinalou a promotora de Justiça. No ano de 2025, 400 crianças foram atendidas nas unidades.
Na Barra, na Escola Municipal Santa Terezinha, às 9h25, 47 das 70 crianças que haviam sido acolhidas já tinham sido entregues aos pais. Desse total, 17 eram bebês de até um ano de idade, o que reforça a importância de uma estrutura adequada para atender o público mais vulnerável. Cinco escolas receberam os filhos de ambulantes desde a quinta-feira, quando teve início o Carnaval. O desacolhimento total
estava previsto para ocorrer até as 11h de hoje. Caso haja meninos e meninas remanescentes, a rede de proteção entra em contato com os responsáveis para providenciar o retorno ao seio familiar.
Durante os dias de Carnaval, o Ministério Público realizou vistorias para verificar a regularidade do funcionamento das unidades de acolhimento. Ao longo de todo o ano passado, o MP promoveu reuniões periódicas com a rede de proteção à criança e ao adolescente, além de articulações institucionais com diversos órgãos, para assegurar o funcionamento de serviços considerados essenciais, especialmente para o público infantojuvenil em situação de vulnerabilidade.
Fotos: Adriano Cardoso
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