Magno Malta pede convocação de Marcola, Marcinho VP e Beira-Mar
O senador Magno Malta (PL-ES) protocolou nesta quinta-feira (5) três requerimentos para que a CPI do Crime Organizado convoque para depor as principais lideranças do crime no país, Marcola, apontado como chefe do PCC, e Marcinho VP e Fernandinho Beira-Mar, ligados ao Comando Vermelho.
Para o parlamentar, a comissão não pode se limitar a análises técnicas e depoimentos indiretos, e precisa ouvir diretamente quem, segundo ele, comanda as maiores facções criminosas do Brasil, mesmo a partir do sistema prisional.
Foco no comando das facções
No requerimento que trata de Marcola, que cumpre pena superior a 300 anos na Penitenciária Federal de Brasília, Magno Malta afirma que a CPI tem o dever constitucional de esgotar todas as vias para compreender a dimensão real da ameaça que o crime organizado representa à segurança nacional.
Segundo o senador, o PCC construiu uma estrutura sofisticada de atuação dentro e fora dos presídios, o que exige uma investigação direta sobre sua cadeia de comando e seus métodos de operação.
Governança carcerária em debate
Em relação a Marcinho VP, preso há décadas e considerado uma das principais lideranças históricas do Comando Vermelho, Malta sustenta que o traficante nunca abriu mão do controle sobre a facção, mesmo recolhido em unidades de segurança máxima.
Para o senador, o depoimento pode ajudar a esclarecer o funcionamento da chamada governança carcerária, fenômeno em que líderes continuam exercendo influência sobre organizações criminosas mesmo atrás das grades. “É a personificação viva do que esta CPI precisa investigar, lideranças que seguem dando as cartas de dentro do sistema prisional”, argumenta.
Atuação mesmo sob condenações
No caso de Fernandinho Beira-Mar, Magno Malta afirma que há indícios claros de continuidade de atuação criminosa, mesmo após condenações sucessivas. Ele cita decisões judiciais e relatórios oficiais que apontam a manutenção de vínculos com o Comando Vermelho, inclusive com condenação confirmada em 2025 por lavagem de cerca de R$ 31 milhões.
Segundo o parlamentar, ouvir Beira-Mar pode ajudar a esclarecer aspectos centrais da operação nacional do Comando Vermelho, como fontes de financiamento, métodos de comunicação clandestina e conexões interestaduais e transnacionais.
Pressão por resultados
Nos bastidores, a iniciativa de Magno Malta é vista como uma tentativa de dar maior impacto político à CPI do Crime Organizado, que sofre cobranças por resultados concretos diante do avanço das facções e da percepção de fragilidade do Estado no enfrentamento ao crime.
A eventual convocação das lideranças criminosas promete acirrar o debate no Congresso e elevar a temperatura política em torno da comissão, que já enfrenta resistências internas e questionamentos jurídicos sobre os limites de sua atuação.
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