Encontro do Associativismo da Bahia mobiliza lideranças e fortalece atuação empresarial no estado
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Três dias de debates, conexões e construção de uma agenda para fortalecer o associativismo empresarial nos municípios. O 1º Encontro do Associativismo da Bahia, realizado de 24 a 26 de setembro, em Salvador, reuniu centenas de líderes de entidades, empresários e representações institucionais. Promovido pelo Sebrae Bahia, com apoio da Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (FACEB), o evento aproximou a rede associativa em torno de desafios comuns e soluções capazes de chegar aos territórios.
Na abertura, o presidente da FACEB, Paulo Cavalcanti, defendeu que a força econômica e a capilaridade da classe produtiva sejam transformadas em organização, participação e capacidade de representação. “O que nos falta não é dinheiro, não são instituições, não são lideranças ou capilaridade. O que nos falta é consciência da força que nós temos”, afirmou. Para ele, esse processo começa pelo fortalecimento das entidades e pela participação dos próprios empresários. “Nenhum empresário deve caminhar sozinho. O associativismo é a nossa casa, unidos, transformando nossa força em representação.”
O diretor-superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury, reforçou a importância da atuação coletiva para criar melhores condições para quem empreende. “Se nós trabalharmos juntos, vamos fazer mais e melhor pela nossa região, pelas nossas famílias e pelo nosso estado”, afirmou. Khoury ressaltou ainda que capacitar o empreendedor não basta se o ambiente em que ele atua não favorecer o desenvolvimento dos negócios: “Se dermos condições para que as pequenas empresas possam trabalhar bem, aí sim estaremos gerando emprego e riqueza para o nosso município, para o nosso estado e para o nosso país.”
A presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB) e vice-presidente da FACEB, Isabela Suarez, destacou a mobilização alcançada pelo encontro e a capacidade das associações comerciais de atuarem como agentes de transformação. “Esse encontro é o resultado da capacidade de reunir pessoas e acreditar na força das associações comerciais”, afirmou. Para Isabela, essa construção se materializa “em cada entidade que se sente acolhida, em cada liderança que passa a compreender que, quando caminhamos juntos, conseguimos chegar muito mais longe”.
Representação e ambiente de negócios
O painel “Associativismo Baiano em Movimento – Cenários e Tendências” reuniu Paulo Cavalcanti; Carlos Henrique Passos, presidente da FIEB; Antoine Tawil, da FCDL Bahia; e Franklin Santos, superintendente do Senar-AR/BA, representando o presidente da FAEB, Humberto Miranda. O diálogo evidenciou pontos de convergência entre diferentes representações da classe produtiva.
A força dessa articulação também foi percebida pelas associações do interior. Para Eonaldo Cerqueira, presidente da Associação Comercial de São Felipe, o encontro abriu novas possibilidades de atuação local. “Saímos daqui repletos de ideias para colocar em prática na nossa associação, na nossa cidade e, por que não dizer, nas cidades vizinhas? A gente sai com desejo de crescimento e de compartilhamento do aprendizado.”
No Talk Show Ambiente de Negócios e Segurança Jurídica, André Gustavo Barbosa, Augusto Sena Gomes Neto, Arnaldo Marques e Ângelo Pitombo abordaram Reforma Tributária, defesa do contribuinte, transparência, participação da sociedade civil e os desafios do novo ambiente empresarial. O encontro teve ainda a apresentação da atualização do Estatuto da FACEB e uma oficina de integração entre as regionais do Sebrae e as vice-presidências regionais da Federação.
Serviços, inovação e negócios
A programação também mostrou o associativismo como porta de acesso a soluções para as empresas. A iniciativa Solucionar Bahia apresentou a cartilha de negociação, mediação e arbitragem para micro e pequenas empresas; André Joazeiro apresentou a ACBTech, voltada à inovação e à disseminação da inteligência artificial entre os negócios; e o Sebrae levou serviços e consultorias para aproximar suas soluções das entidades e dos empresários.
Cris Santos, diretora executiva da Fundação Paulo Cavalcanti, apresentou a Rede Via Cidadã, plataforma tecnológica que reúne instituições, conecta iniciativas e fortalece o ecossistema associativista.
O empreendedorismo também ocupou espaço próprio. O Marsúpio reuniu dez empreendedoras, que apresentaram seus produtos durante o encontro. Em um pitch, cada estande teve 30 segundos para mostrar seu negócio aos participantes, ampliando a visibilidade dos produtos e as possibilidades de conexão comercial. A feira de expositores completou o ambiente de networking e geração de oportunidades.
Gerações conectadas
No sábado, o encontro voltou-se também à renovação e à diversidade da representação empresarial. Os Conselhos da Mulher Empreendedora, do Jovem Empreendedor e dos Empresários 60+ discutiram liderança feminina, formação de novas lideranças, inovação, sucessão empresarial, valorização da experiência e integração entre gerações. Uma Reunião de Presidentes encerrou a programação.
A troca de experiências e a construção de novas conexões também foram destacadas pelas lideranças municipais. Pita Tigre, presidente da Associação Comercial Industrial Agropecuária e de Serviços de Eunápolis (ACIASE), ressaltou que o fortalecimento das entidades produz reflexos além do ambiente empresarial. “O associativismo tem força quando transforma o diálogo em ação, aproxima empresários, poder público e instituições e cria caminhos para que nossas regiões cresçam de forma sustentável. Afinal, quando as entidades empresariais se fortalecem, quem ganha é toda a comunidade.”
Para Aparecida Carvalho, presidente da Associação Comercial e Industrial de Jacobina, fortalecer o associativismo passa também por aproximar a entidade de quem ela representa. “Meu legado é gerar uma aproximação entre a sociedade, a associação e o associado. Quero construir essa ponte para que o associado se sinta realmente pertencente àquela casa”, afirmou. “Quando se ajuda a associação, não se ajuda só a associação; ajuda Jacobina e toda a região.”
Já Raimundo Menezes, da ACEVIC, de Vitória da Conquista, destacou a importância da integração estadual. “Reunir a força do associativismo empresarial baiano significa abrir portas, aproximar instituições, trocar experiências e, principalmente, entender que juntos podemos construir caminhos muito maiores para o desenvolvimento das nossas empresas e das nossas regiões.”
Para Paulo Cavalcanti, a presença de dezenas de presidentes mostrou a capacidade de mobilização do associativismo baiano. “Demonstramos que temos convergência de força. Seguiremos com união e com muita consciência cidadã participativa.”
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