CEO do Bradesco cobra candidatos sobre contas públicas e pede fim da polarização
O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, cobrou dos candidatos a presidente da República propostas concretas para a política fiscal e afirmou que o eleitor precisa ouvir diretamente dos presidenciáveis quais medidas pretendem adotar para equilibrar as contas públicas.
A declaração ocorreu nesta segunda-feira (24), durante o Febraban Tech 2026, realizado no Distrito Anhembi, em São Paulo. O evento reúne dirigentes dos principais bancos do país e autoridades para discutir os rumos da economia e do sistema financeiro.
Segundo Noronha, a preocupação do setor financeiro deve estar concentrada na trajetória da dívida pública, independentemente da posição política dos candidatos. Ele afirmou que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) se aproxima de 82% do PIB e defendeu medidas capazes de interromper a trajetória de alta do endividamento.
“A gente tem a oportunidade aqui de ouvir os candidatos, não seus assessores, sobre suas respectivas propostas para a política fiscal”, afirmou Noronha.
Bancos querem propostas para o período de 2027 a 2030
O executivo afirmou que estudos realizados pela área econômica do banco identificaram nove medidas que poderiam gerar uma redução de aproximadamente R$ 250 bilhões no custo da dívida. Segundo ele, a adoção integral das propostas poderia representar uma economia de até R$ 580 bilhões, equivalente a cerca de 5% do PIB.
Noronha ressaltou, porém, que não necessariamente todas as medidas precisariam ser adotadas. Para ele, mesmo uma aprovação parcial poderia produzir efeitos relevantes, desde que exista disposição política para implementar mudanças.
“A sociedade precisa ouvir dos candidatos o que eles pretendem fazer para a gente ter esse horizonte entre o ano de 2027 e 2030”, afirmou.
A preocupação ocorre em um momento em que os principais candidatos à sucessão presidencial começam a apresentar suas plataformas econômicas. Para o CEO, o debate sobre o equilíbrio fiscal precisa ocupar espaço central na campanha.
CEO do Itaú critica polarização
No mesmo painel, o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, afirmou que a eleição deveria ser uma oportunidade para discutir um plano econômico para o país, em vez de concentrar o debate na polarização política.
O executivo questionou quais serão as estratégias dos candidatos para áreas como economia, educação e saúde, e defendeu que o processo eleitoral seja utilizado para discutir o futuro do Brasil.
O painel reuniu dirigentes dos maiores bancos brasileiros, incluindo Marcelo Noronha, Milton Maluhy Filho, Gilson Finkelsztain, Carlos Vieira e Roberto Sallouti. A programação oficial do Febraban Tech prevê debates sobre tecnologia, produtividade, inteligência artificial, economia e transformação do sistema financeiro.
Cenário internacional aumenta pressão sobre o Brasil
O CEO do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain, também alertou para o impacto do ambiente internacional sobre as contas brasileiras. Segundo ele, a expansão fiscal observada em diferentes países e a necessidade de juros mais elevados aumentam o desafio para o ajuste macroeconômico do Brasil.
Na avaliação do executivo, o país precisará fazer um esforço maior para colocar as contas públicas em ordem e continuar atraindo capital diante da competição internacional.
Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, seguiu na mesma linha e afirmou que o Brasil precisa abandonar estratégias utilizadas nos últimos anos e buscar ganhos de produtividade.
Produtividade entra no centro do debate
Sallouti destacou que o crescimento econômico brasileiro não poderá depender apenas da expansão populacional. Para ele, investimentos em educação, tecnologia e infraestrutura serão fundamentais para elevar a produtividade.
O executivo classificou o ajuste fiscal como uma questão que poderia ser enfrentada em prazo mais curto, enquanto avanços em segurança e produtividade exigiriam períodos maiores.
O presidente da Caixa, Carlos Vieira, por sua vez, afirmou que o Brasil possui condições para realizar uma transformação econômica, citando as reservas minerais e a capacidade energética do país.
Febraban Tech reúne principais bancos
O Febraban Tech 2026 ocorre entre 24 e 26 de agosto, em São Paulo, e reúne executivos, autoridades e especialistas para discutir inteligência artificial, inovação, segurança, produtividade e os desafios do sistema financeiro. A organização informa que os bancos devem investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia em 2026, enquanto 83% das transações bancárias já são realizadas por canais digitais.
Para os executivos que participaram do painel, entretanto, a transformação tecnológica precisa caminhar junto com uma agenda de responsabilidade fiscal, aumento da produtividade e criação de condições para o crescimento sustentável da economia brasileira.
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