Rivais de Netanyahu se unem para tentar derrotar governo nas eleições em Israel
Dois dos principais adversários do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram neste domingo (26) uma aliança política com o objetivo de disputar o poder nas próximas eleições nacionais, previstas para o final deste ano.
Os ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid confirmaram a fusão de seus partidos, em uma tentativa de consolidar uma alternativa competitiva ao atual governo de coalizão liderado por Netanyahu. A nova legenda deverá se chamar “Juntos”, sob liderança de Bennett.
Durante coletiva, Lapid afirmou que a união representa uma resposta ao momento político do país. Segundo ele, a proposta é “mudar o rumo de Israel” diante de desafios internos e externos. Bennett, por sua vez, destacou que o movimento marca uma ruptura com décadas de protagonismo de Netanyahu, defendendo a abertura de um novo ciclo político.
A aliança não é inédita. Bennett e Lapid já atuaram juntos em 2021, quando lideraram uma coalizão que encerrou 12 anos consecutivos de Netanyahu no poder. O governo, porém, teve duração de pouco mais de 18 meses, em meio a divergências internas e dificuldades para sustentar maioria parlamentar.
O atual premiê voltou ao comando do país após as eleições de 2022, formando o governo mais à direita da história israelense. No entanto, o cenário político foi impactado por eventos recentes, incluindo o ataque do Hamas em 2023, que ampliou tensões no Oriente Médio e gerou questionamentos sobre a condução da segurança nacional.
Pesquisas recentes indicam um ambiente eleitoral competitivo. Levantamento divulgado por um canal israelense aponta Bennett com desempenho próximo ao de Netanyahu em intenção de votos, enquanto o partido de Lapid registra queda de representação. Ainda assim, projeções sugerem que uma coalizão liderada pela nova aliança pode alcançar maioria no Parlamento, o Knesset.
Netanyahu reagiu ao anúncio relembrando a aliança anterior entre os dois líderes, fazendo referência à coalizão que incluiu partidos árabes, como a Lista Árabe Unida, liderada por Mansour Abbas. Bennett, por sua vez, sinalizou que não pretende repetir esse arranjo político e descartou concessões territoriais em negociações futuras.
A disputa eleitoral ocorre em um contexto de forte polarização e de debates sensíveis, como o serviço militar obrigatório e a relação entre Estado e grupos religiosos. Tanto Bennett quanto Lapid têm criticado a política do atual governo, especialmente em relação à condução de conflitos regionais e à distribuição de encargos entre diferentes setores da sociedade.
Com histórico de resiliência política, Netanyahu ainda é considerado um dos líderes mais influentes de Israel. A formação da nova aliança, no entanto, reorganiza o tabuleiro eleitoral e pode ampliar a competitividade na corrida pelo poder nos próximos meses.
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