Patrimônio de Jaques Wagner cresce 630%
O senador Jaques Wagner (PT) declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 24,5 milhões para as eleições de 2026, valor que representa um crescimento de 631% em relação aos R$ 3,3 milhões informados na disputa eleitoral de 2018. Os dados constam no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O principal fator para a evolução patrimonial é um crédito de R$ 13,8 milhões decorrente da venda de um terreno de aproximadamente 51 mil metros quadrados, localizado às margens da Via Metropolitana, rodovia planejada e contratada durante o período em que Wagner governou a Bahia. Segundo documentos divulgados pela Folha de S.Paulo, o imóvel foi adquirido em 2000 por R$ 28 mil e negociado, 25 anos depois, por R$ 15 milhões, registrando forte valorização ao longo do período.
Em entrevista à Rádio Andaiá FM, o senador afirmou que abriu mão de receber indenização pela parte do terreno desapropriada para a construção da rodovia e minimizou a valorização do imóvel, argumentando que a valorização ocorreu ao longo de mais de duas décadas.
A negociação do terreno, no entanto, foi suspensa por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades relacionadas ao Banco Master. A decisão também bloqueou temporariamente bens e valores do parlamentar até nova deliberação da Corte.
As investigações da Polícia Federal apontam a existência de uma relação de proximidade entre Jaques Wagner e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, além do empresário Augusto Lima, conhecido como Guga Lima, apontado como um dos sócios ligados ao grupo empresarial investigado. Segundo a investigação, essa relação é um dos elementos analisados pela PF para apurar possíveis benefícios indevidos ao senador. Wagner nega irregularidades e tem afirmado que os fatos serão esclarecidos durante o andamento do processo.
Além do crédito referente ao terreno, a declaração de bens apresentada ao TSE inclui imóveis, aplicações financeiras, veículos e um sítio na Chapada Diamantina. A evolução patrimonial do senador ocorre em meio ao período eleitoral e enquanto ele busca a reeleição ao Senado pela Bahia.
O caso segue sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) e integra uma das principais frentes de investigação da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, sem decisão definitiva sobre o mérito das apurações.
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