Maioria defende enquadrar facções criminosas como terroristas, diz Genial/Quaest
Após a megaoperação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro, a população fluminense demonstra amplo apoio à proposta de equiparar facções criminosas a grupos terroristas. Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (3) aponta que 72% dos moradores do estado são favoráveis a uma alteração na legislação para aumentar as penas contra organizações como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A principal distinção entre uma organização criminosa e um grupo terrorista reside na motivação: enquanto as facções buscam vantagens econômicas, os terroristas atuam por motivos ideológicos ou políticos. A mudança legislativa representaria um endurecimento significativo das punições, atualmente variando entre três e oito anos para crimes de organização criminosa.
A proposta, de autoria do deputado Danilo Forte (União Brasil-CE), vem ganhando força no Congresso, especialmente após a intervenção policial nos complexos da Penha e Alemão. O projeto já foi aprovado na Comissão de Segurança Pública da Câmara e aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A relatoria, inicialmente sob responsabilidade do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), será assumida pelo secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PL), que retornará ao Legislativo para conduzir o texto. Derrite é pré-candidato ao Senado em 2026.
Além do enquadramento das facções como terroristas, a pesquisa evidencia apoio popular ao endurecimento das penas em geral. Para 85% dos entrevistados, as punições por homicídios a mando do crime organizado devem ser ampliadas. Também há forte respaldo à redução de benefícios penais: 62% defendem o fim das visitas íntimas a presos ligados a facções, e 53% aprovam a extinção das saídas temporárias, mesmo para detentos que cumpriram boa parte da sentença e apresentam bom comportamento.
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 1.500 pessoas entre os dias 30 e 31 de outubro em 40 municípios do Rio de Janeiro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento reflete o clima de tensão e a demanda da população por uma resposta mais dura contra o crime organizado, no momento em que o estado vive uma escalada de violência e desafios na segurança pública.
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