Lula quebra silêncio sobre operação no Rio de Janeiro com mais de 120 mortos
O presidente Lula da Silva (PT) se manifestou pela primeira vez, na noite desta quarta-feira (29), sobre a megaoperação das forças de segurança no Rio de Janeiro que resultou em mais de cem mortes e reacendeu o debate sobre o avanço do Comando Vermelho (CV) no estado.
Em nota divulgada após reunião ministerial, Lula disse ter determinado ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e ao diretor-geral da Polícia Federal que se deslocassem ao Rio para uma reunião com o governador Cláudio Castro (PL). O presidente ressaltou que o combate ao crime organizado deve ser coordenado e executado “sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco”.
“Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando drogas e violência pelas cidades. Precisamos atingir a espinha dorsal do tráfico”, declarou Lula.
O chefe do Executivo lembrou que, em agosto, o governo federal promoveu o que chamou de “maior operação contra o crime organizado da história do país”, com foco no desmonte de esquemas de tráfico, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.
Lula também destacou a PEC da Segurança, proposta encaminhada pelo Planalto ao Congresso, como medida para garantir uma atuação conjunta das forças policiais federais, estaduais e municipais no enfrentamento ao poder das facções.
Durante a operação no Rio, o presidente estava em viagem à Ásia e retornou ao Brasil na noite de terça-feira (28). A reunião com ministros, citada em sua nota, ocorreu na manhã desta quarta-feira.
Após a orientação de Lula, o ministro Ricardo Lewandowski seguiu para o Rio e se reuniu com Cláudio Castro. Ao fim do encontro, ambos anunciaram a criação de um escritório emergencial que reunirá governo federal e estado no combate ao crime organizado.
A ação no Rio — considerada a mais letal da história policial brasileira — continua gerando forte repercussão política e social, com o governo federal tentando equilibrar apoio às forças de segurança e preocupações com violações de direitos humanos em meio à escalada da violência nas comunidades controladas por facções.
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