Lula chega à Bahia para destravar crise política, definir vice e conter desgaste de Jerônimo
A chegada do presidente Lula da Silva (PT) a Salvador, nesta quarta-feira (1º), vai além da agenda institucional anunciada pelo governo federal. Nos bastidores, a visita é tratada como uma missão estratégica para reorganizar o cenário político na Bahia às vésperas das eleições de 2026.
Recebido pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), pelo ministro da Casa Civil Rui Costa e pelo senador Jaques Wagner (PT), Lula desembarca em um momento de tensão interna no PT baiano, marcado por disputas políticas, perda de aliados e sinais de desgaste na imagem do governo estadual.
Lula atua para definir vice e reorganizar base
Um dos principais objetivos políticos da viagem é bater o martelo sobre o nome do vice na chapa de Jerônimo Rodrigues. A tendência é a manutenção de Geraldo Júnior (MDB), atual vice-governador, como forma de preservar a aliança com o MDB e evitar novos ruídos na base.
A definição é considerada crucial para dar estabilidade ao grupo governista e evitar novas fissuras em um momento de articulação pré-eleitoral.
Frear debandada e conter rejeição
Outro ponto central da agenda é conter a saída de quadros do PT na Bahia. Lideranças históricas e regionais têm sinalizado insatisfação com a divisão interna de espaço político, o que acende alerta no Palácio do Planalto.
Além disso, Lula tenta agir diretamente para reduzir a crescente rejeição ao governo Jerônimo Rodrigues, identificada por aliados como um fator de risco para o projeto de reeleição.
A avaliação interna é de que o presidente ainda possui capital político suficiente no estado para reverter parte desse desgaste, especialmente com entregas e anúncios de obras.
Mediação de conflito entre Wagner e Rui Costa
Nos bastidores, outro desafio é considerado sensível: a relação desgastada entre Jaques Wagner e Rui Costa, duas das principais lideranças do PT baiano.
A disputa por protagonismo político e influência no grupo tem gerado ruídos internos, impactando diretamente a coesão da base. Lula atua como principal mediador para evitar que o conflito avance e comprometa a estratégia eleitoral do partido no estado.
Apesar da forte carga política, Lula cumpre uma agenda institucional robusta em Salvador, com foco em obras do Novo PAC.
A agenda marca também a despedida de Rui Costa do comando da Casa Civil antes de sua desincompatibilização para disputar as eleições.
STF entra na pauta
Outro tema que permeia a visita é a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O nome já foi encaminhado ao Senado e será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça |(CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar (PSD).
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