Justiça manda deputado do PT se retratar por montagem com Bolsonaro e empresário do Banco Master
A Justiça do Distrito Federal determinou que o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) publique, no prazo de até 24 horas, uma retratação nas redes sociais após compartilhar uma montagem envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
A decisão foi proferida pela juíza Patrícia Vasques Coelho na última sexta-feira (13), após ação movida pela defesa de Bolsonaro, que alegou violação da honra e da imagem do ex-chefe do Executivo.
Montagem com inteligência artificial
De acordo com a determinação judicial, Rogério Correia deverá publicar nota esclarecendo que a imagem divulgada não era verdadeira e foi produzida por inteligência artificial. O texto deverá informar expressamente que o encontro retratado nunca ocorreu.
Além da retratação pública, a magistrada determinou que o parlamentar se abstenha de publicar ou republicar novas montagens feitas por IA envolvendo Bolsonaro, Daniel Vorcaro ou Roberto Campos Neto. Em caso de descumprimento, poderá ser aplicada multa.
O conteúdo original já foi apagado das redes sociais. No entanto, até o momento mais recente, a retratação formal exigida pela Justiça ainda não havia sido publicada.
Reação do deputado
Em manifestação nas redes sociais, Rogério Correia afirmou que foi processado por Bolsonaro e por “outras figuras da extrema-direita”. Sem mencionar diretamente a montagem retirada do ar, o deputado criticou a ação judicial e relacionou o episódio a embates políticos recentes.
“Em pleno Carnaval, fui processado pelo detento Jair, direto da Papuda, e atacado por Flávio Bolsonaro e outras figuras da extrema-direita”, escreveu o parlamentar, em referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Debate sobre uso de IA e responsabilidade digital
O caso reacende o debate sobre o uso de inteligência artificial na produção de imagens e conteúdos políticos, especialmente em um ambiente de alta polarização. A disseminação de montagens digitais envolvendo autoridades públicas tem sido alvo crescente de ações judiciais, sobretudo quando há alegação de dano à honra e à imagem.
A decisão da Justiça do Distrito Federal reforça o entendimento de que parlamentares, assim como qualquer cidadão, estão sujeitos à responsabilização civil por conteúdos divulgados nas redes sociais, inclusive quando produzidos por ferramentas de IA.
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