Intérpretes de Libras garantem acessibilidade e conquistam carisma de comunidade surda – Secretaria de Comunicação
Fotos: Jefferson Peixoto/ Secom PMS
Texto: Priscila Machado/ Secom PMS
Nos bastidores do trabalho dos intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) do Festival Virada Salvador, há uma equipe unida e animada que se doa para tornar as apresentações musicais acessíveis à comunidade surda. São seis pessoas atuando em uma sala adaptada, situada em uma estrutura atrás do palco, em esquema de revezamento, para que não haja sobrecarga.
Alisson George, de 32 anos, conta um pouco da rotina diária: “A cada três músicas, nós nos revezamos. É um trabalho que envolve, ao mesmo tempo, o corpo e a mente, por isso a importância desse revezamento. E nós temos também uma pessoa surda na equipe, que ajuda muito em todo o processo, pois entende a mensagem que passamos para ele nos bastidores e reproduz em Libras de maneira muito mais eficaz, uma vez que Libras é a primeira língua dele”.
Formado em dança, além de ser graduado em Letras Libras, ele consegue unir as duas paixões e abusar das coreografias para traduzir o ritmo e a emoção das apresentações para o público surdo. Alisson conta que um dos desafios ocorre quando alguma palavra ou frase não é entendida no áudio, mas, nesses momentos, algum colega de profissão consegue entender e auxiliar o que está atuando, garantindo que a mensagem seja reproduzida. “Trabalhamos em equipe. As outras pessoas que estão fora ficam sempre mais coladinhas no som para poder passar o que foi dito, nessas ocasiões em que não escutamos alguma palavra ou frase”, diz.
“Quando falamos sobre sociedade, temos que pensar de um modo amplo. As pessoas surdas são uma grande parcela da nossa sociedade, mas em muitos lugares, elas têm barreira de acesso. Por isso, é muito importante ampliar cada vez mais esse acesso. Ter essa atitude comunicacional de levar cultura para as pessoas surdas, dos mais diversos tipos, pois música também é uma área cultural, é uma área que leva sentimento e consciência social. Ter maior capacidade de ampliar essa perspectiva é muito bom”, contou Alisson.
Quando vão para a frente do palco, esses profissionais tornam-se também celebridade e recebe cumprimentos dos surdos. “Para as pessoas surdas o artista da cena somos nós, porque é a gente que está levando a mensagem. Isso também é muito bacana. E as pessoas surdas têm comparecido, elas circulam pela arena e o legal é que há telão em outro espaço da arena, possibilitando que de longe eles possam ver o nosso trabalho”, complementou.
Matheus Silva, 29, é sergipano e está tendo a oportunidade de experimentar um pouco da cultura baiana ao mesmo tempo em que atua diretamente na promoção da acessibilidade como intérprete de Libras. “Tem sido uma experiência maravilhosa. Eu não saio daqui mais o mesmo, depois de Salvador, da Bahia e de toda essa experiência. Salvador está entregando muita alegria nesse evento. Há um tempo, os surdos não estavam nesses espaços e com isso não tinham acesso a essa diversidade cultural. Então é muito importante criar uma publicização, divulgar esse trabalho e dar espaço para que cada vez mais eles sejam incluídos. Eu percebo uma melhora, com todas essas ações de acessibilidade, e torço para que cada vez mais tenhamos diferentes públicos incluídos em todos os espaços”, opinou.
Mirante Acessível – Além do trabalho dos intérpretes de Libras durante a transmissão dos shows, tanto nos telões da arena O Canto da Cidade como na transmissão online nas redes sociais, há também o trabalho desses profissionais no Mirante Acessível, gerido pela Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre), por meio da Diretoria de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência (DPCD). São três intérpretes atuando das 17h à 0h, orientando o público surdo no local.
“A presença dos profissionais bilíngues no Mirante Acessível afirma a política de inclusão que vem sendo desenvolvida pela prefeitura de Salvador, por meio Sempre. As pessoas surdas e com deficiência auditiva podem curtir o Festival da Virada, assistindo aos shows do mirante ou no telão, porque a acessibilidade acontece para todos. A gente afirma, com essas iniciativas, que a arte e a cultura são para todos”, afirma a diretora de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência.
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