EUA acusam BYD e Alibaba de auxiliar Forças Armadas da China
Os Estados Unidos adicionaram nesta segunda-feira (8) uma nova leva de grandes empresas chinesas a uma lista entidades que auxiliam as Forças Armadas de Pequim, em uma medida que pode acirrar as tensões entre os dois países.
Entre as 80 empresas incluídas na relação estão a gigante chinesa do comércio eletrônico Alibaba, o provedor de buscas na internet Baidu e as automobilísticas BYD e NIO.
A atualização substitui uma lista anterior do início de 2025 e ocorre menos de um mês após o presidente dos EUA, Donald Trump, se encontrar com o presidente chinês, Xi Jinping, em uma visita a Pequim, onde os dois líderes mantiveram uma delicada trégua na guerra comercial.
A lista agora inclui uma ampla gama das principais empresas de tecnologia da China, essenciais para o avanço do poderio militar e industrial de Pequim, refletindo as preocupações de segurança de Washington em meio à intensa competição geopolítica entre os países.F
O Ministério chinês do Exterior afirmou nesta terça-feira que a lista é discriminatória e “reprime injustificadamente” empresas chinesas, e instou os EUA a “corrigirem suas práticas equivocadas”.
“A China tem se oposto de forma consistente e firme à generalização do conceito de segurança nacional feita pelos Estados Unidos […] e à sua repressão injustificada de empresas chinesas”, disse o porta-voz do Ministério, Lin Jian, em uma coletiva de imprensa.
Lin instou Washington a “corrigir suas práticas errôneas” e alertou que Pequim poderá “tomar as medidas necessárias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”.
Fabricantes de chips também estão na lista
Em fevereiro, quando a viagem de Trump à China ainda estava pendente, o Pentágono chegou a publicar brevemente uma lista atualizada semelhante à divulgada nesta segunda-feira, conhecida como lista 1260H ou lista CMC, mas a retirou rapidamente com sem dar muitas explicações.
A nova versão divulgada nesta segunda-feira espelha a lista de fevereiro, com a inclusão das principais fabricantes chinesas de chips CXMT e YMTC, duas empresas que haviam sido removidas do índice de do inicio do ano, para a ira dos críticos da China em Washington.
Outras empresas adicionadas incluem a de biotecnologia WuXi AppTec, a de robótica com inteligência artificial (IA) RoboSense Technology Co. Ltd. e a Unitree, uma das principais fabricantes chinesas de robôs humanoides e quadrúpedes. Em 1º de junho, a fabricante americana de chips de IA, Nvidia, anunciou que planeja trabalhar com a Unitree para construir robôs para pesquisas.
Embora a lista não imponha sanções formais a empresas chinesas, de acordo com uma lei americana recente, o Departamento de Defesa ficará proibido, a partir do final deste mês, de contratar diretamente empresas listadas e de comprar seus produtos ou serviços por meio de terceiros a partir de 2027.
Essas medidas podem ter custos significativos para as empresas chinesas e seus parceiros.
Empresas chinesas criticam inclusão
A BYD, maior vendedora de veículos elétricos do mundo, afirmou em nota que se opõe firmemente a ser rotulada como empresa militar e que usará todos os “meios administrativos e legais viáveis” para salvaguardar seus direitos e interesses, acrescentando que a decisão prejudicou “suas conquistas de desenvolvimento nos Estados Unidos”.
Em um comunicado, a Alibaba disse que não havia “nenhum fundamento” para sua inclusão na lista. “A Alibaba não é uma empresa militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão militar-civil. Tomaremos todas as medidas legais cabíveis contra tentativas de deturpar nossa empresa”, disse o conglomerado de comércio eletrônico e tecnologia.
A WuXi AppTec considerou incorreta sua inclusão na lista e disse e que tomaria “medidas imediatas para contestar e corrigir essa designação”.
A gigante de mecanismos de busca e inteligência artificial Baidu rejeitou “categoricamente” sua inclusão na lista e, em declarou que “a sugestão de que a Baidu seja uma empresa militar é totalmente infundada. Não hesitaremos em usar todas as opções disponíveis para que a empresa seja removida da lista.”
Em alguns casos, as empresas podem ser removidas da lista não porque os EUA determinem que elas não têm ligação com as Forças Armadas chinesas, mas por deixarem de operar nos EUA ou porque o nome da entidade mudou. As próprias empresas podem solicitar a remoção diretamente ao Pentágono.
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