Estreia do Brasil na Copa derruba consumo de energia elétrica em até 8,6%, mostra ONS
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A estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, ocorrida no início da noite do último sábado (13) contra o Marrocos, alterou não apenas a rotina social, mas também o comportamento de infraestrutura do país. Dados consolidados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revelam que o engajamento da população frente às telas gerou uma redução máxima de 8,6% na demanda por energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN), tomando como base o sábado de referência (30 de maio).
O fenômeno, apelidado no setor elétrico de “Efeito Copa”, ocorre devido à paralisação simultânea de atividades comerciais, ao fechamento de escritórios e à diminuição do uso de maquinários industriais no momento em que a bola rola.
O comportamento da carga elétrica nacional ao longo da transmissão da partida desenhou uma espécie de montanha-russa no sistema de monitoramento do ONS. A variação seguiu dinâmicas bem específicas:
- O Pré-Jogo: Cerca de uma hora antes do apito inicial, o SIN registrou o pico de consumo do dia, atingindo a marca de 91.464 MW (megawatts).
- Primeiro Tempo: Assim que o jogo começou, a demanda despencou imediatamente para 84.393 MW, mantendo uma curva descendente contínua até registrar 78.821 MW ao fim da etapa inicial.
- O Efeito Geladeira (Intervalo): Às 19h55, no intervalo do confronto, o ONS detectou um repique súbito de consumo de 3,6%. Foram 2.826 MW a mais em apenas 8 minutos — uma oscilação que equivale à demanda média inteira do Estado de Goiás —, gerada pelo hábito dos telespectadores de acenderem luzes, ligarem micro-ondas ou abrirem geladeiras ao mesmo tempo.
- Segundo Tempo e Fim do Jogo: Na segunda metade, o consumo voltou a recuar, batendo a mínima do dia de 75.366 MW. Logo após o apito final, houve uma nova explosão de consumo: uma elevação rápida de 5,7% (4.307 MW em 21 minutos, o correspondente à carga média do Estado do Rio Grande do Sul).
As oscilações extremas e abruptas de carga, como o ganho ou perda de milhares de megawatts em poucos minutos, representam desafios operacionais complexos para a engenharia de energia, exigindo acionamento e desligamento coordenado de usinas para manter o equilíbrio da rede.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, enfatizou em nota oficial que o órgão técnico realizou simulações prévias e opera em esquema de atenção para garantir que os picos de demanda pós-jogo não causem instabilidades ou apagões. A mesma blindagem operacional está sendo desenhada para as próximas partidas classificatórias do Brasil e para os jogos finais do torneio, que se encerra no dia 19 de julho. Por volta das 21h40 do sábado, o fluxo energético nacional já havia retornado ao seu comportamento típico de fim de semana, operando em estáveis 79.573 MW.
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