Deputados pedem prisão preventiva de Lulinha à PGR e citam fuga para a Europa
A crise em torno das investigações sobre supostas fraudes no INSS ganhou novo capítulo nesta quinta-feira, 26. Um grupo de 47 deputados federais protocolou representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A iniciativa foi liderada pela deputada Rosangela Moro (União Brasil-SP) e reúne assinaturas de parlamentares do PL, Republicanos, PSD, PP e União Brasil. No documento, os deputados pedem a abertura imediata de investigação formal e a adoção de medidas cautelares, incluindo prisão preventiva, cancelamento de passaporte, bloqueio de bens e inclusão do nome do investigado na difusão vermelha da Interpol.
Suposto elo com operador do esquema
A representação sustenta que Lulinha teria atuado como sócio oculto do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como operador financeiro de um suposto esquema de fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Segundo o texto encaminhado à PGR, com base em depoimentos e relatórios fazendários citados pelos parlamentares, o filho do presidente teria recebido cerca de R$ 300 mil mensais para “viabilizar e proteger interesses do grupo junto à cúpula do governo federal”. Os valores, de acordo com a peça, teriam origem em propinas pagas por associações envolvidas no esquema investigado.
Os deputados também pedem quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático, além de relatórios de inteligência financeira e bloqueio de ativos eventualmente ligados aos fatos sob apuração.
Mudança para Madri vira argumento
Outro ponto central da representação é a mudança de residência de Fábio Luís para Madri, na Espanha, em 2025. Para os autores, a permanência no exterior configura risco concreto à aplicação da lei penal, diante da possibilidade de deslocamento para outros países da União Europeia ou para jurisdições sem tratado de extradição com o Brasil.
O documento solicita que, além da prisão preventiva, seja iniciado processo de extradição com base no tratado bilateral entre Brasil e Espanha. Também requer monitoramento eletrônico, com uso de tornozeleira, caso o investigado retorne ao país.
Pressão política
O pedido amplia a pressão política sobre o entorno do Palácio do Planalto e reforça a estratégia da oposição de associar o governo às suspeitas que cercam o escândalo do INSS.
Até o momento, não houve manifestação pública de Fábio Luís Lula da Silva sobre o conteúdo da representação. Caberá agora ao Ministério Público Federal analisar se há elementos suficientes para instaurar procedimento investigatório ou adotar as medidas solicitadas pelos parlamentares.
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