Boom da inteligência artificial cria nova safra de bilionários e redesenha poder no Vale do Silício
O avanço acelerado da inteligência artificial não está apenas mudando modelos de negócios e hábitos de consumo, também está redesenhando o mapa da riqueza global. A mesma onda que consolidou nomes como Jensen Huang, da Nvidia, e Sam Altman, da OpenAI, abriu caminho para o surgimento de uma nova geração de bilionários, muitos deles com menos de 40 anos e fortunas construídas em tempo recorde.
A lógica segue um roteiro já conhecido em outros ciclos tecnológicos. A explosão no valor de mercado das empresas de IA, impulsionada por rodadas bilionárias de investimento, transformou fundadores de startups recentes em donos de patrimônios que, até poucos anos atrás, pareciam inalcançáveis.
Fortunas criadas em velocidade máxima
Diferentemente de ondas anteriores, o ritmo chama atenção. Boa parte desses novos bilionários fundou suas empresas após o lançamento do ChatGPT, em 2022, e alcançou avaliações multibilionárias em menos de três anos. É o caso de Alexandr Wang e Lucy Guo, da Scale AI, cuja empresa foi avaliada em cifras bilionárias após a venda de uma participação relevante para uma gigante do setor.
Outro exemplo é o grupo por trás da Cursor, startup criada em 2022 e que, em uma rodada recente, alcançou uma avaliação próxima dos US$ 30 bilhões, catapultando seus fundadores para o seleto clube dos nove dígitos.
Ex-OpenAI no centro do furacão
Empresas lideradas por ex-executivos da OpenAI ilustram bem essa escalada. A Safe Superintelligence, fundada em 2024 por Ilya Sutskever, rapidamente atingiu uma avaliação bilionária após captar recursos vultosos. Já a Thinking Machines Lab, criada em 2025 por Mira Murati, chamou atenção ao alcançar uma avaliação estimada em US$ 10 bilhões mesmo sem ter lançado um produto comercial.
Casos como o de Brett Adcock, da Figure AI, e Aravind Srinivas, da Perplexity, reforçam o padrão. Ambos fundaram suas empresas em 2022 e, em poucos anos, viram seus patrimônios pessoais saltarem para a casa das dezenas de bilhões de dólares.
Riqueza concentrada e dúvidas no horizonte
Apesar da velocidade impressionante, o novo ciclo mantém velhas características. Entre dezenas de novos bilionários, apenas duas mulheres figuram nesse grupo, evidenciando a persistente desigualdade de gênero no setor tecnológico.
Além disso, há um ponto de interrogação sobre a sustentabilidade dessas fortunas. A maior parte do patrimônio está atrelada a avaliações privadas, altamente sensíveis ao desempenho futuro das empresas. Caso as promessas da inteligência artificial não se confirmem na escala esperada, parte dessa riqueza pode se revelar apenas teórica.
Ainda assim, o fenômeno é claro. A inteligência artificial não apenas inaugura uma nova era tecnológica, como também acelera a formação de uma elite econômica jovem, poderosa e cada vez mais influente, capaz de redefinir o equilíbrio de forças no Vale do Silício e além.
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