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Lula reage a Milei após ataques a Moraes, convenções simultâneas acirram disputa eleitoral

O presidente Lula da Silva (PT) e o presidente da Argentina, Javier Milei, protagonizaram neste sábado (25) um dos momentos mais simbólicos da pré-campanha eleitoral de 2026. Em convenções partidárias realizadas quase ao mesmo tempo no estado de São Paulo, os dois fizeram discursos de duração praticamente idêntica, ampliando o embate político entre esquerda e direita na América do Sul.

Lula discursou em Campinas, durante a convenção que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista. A fala durou 27 minutos e 36 segundos. Poucos minutos antes, Milei iniciou um pronunciamento de 27 minutos e 19 segundos na Arena Pacaembu, em São Paulo, onde participou da convenção que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Durante seu discurso, Lula afirmou que o Brasil decidirá seu futuro sem interferências externas e enviou um recado direto a governos estrangeiros.

“Quem vier de fora querendo se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito aqui nas eleições. Quem decide o destino do Brasil são os brasileiros”, declarou o presidente, ao defender a soberania nacional diante do cenário eleitoral.

Enquanto isso, Milei adotou um tom duro contra Lula, fez críticas ao governo brasileiro, declarou apoio explícito a Flávio Bolsonaro e afirmou acreditar que o senador é o único capaz de derrotar o atual presidente nas urnas.

O presidente argentino também atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), chamando o magistrado de “lixo careca” ao comentar a decisão judicial que impediu sua visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar.

Milei ainda criticou o chamado Foro de São Paulo, associou governos de esquerda ao aumento da criminalidade e afirmou que a Argentina conseguiu reduzir os índices de violência com políticas de endurecimento penal. Segundo ele, o Brasil precisaria seguir caminho semelhante.

STF reage às declarações de Milei

As declarações do presidente argentino provocaram reação imediata do presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Em nota oficial, Fachin classificou as falas como desrespeitosas e incompatíveis com as relações institucionais entre países democráticos.

O presidente da Corte afirmou que as manifestações atingem um integrante do Supremo por decisões tomadas dentro dos limites da Constituição e reforçou a autonomia e a independência do Poder Judiciário brasileiro.

Também houve manifestação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que considerou inadmissível que um chefe de Estado estrangeiro utilize solo brasileiro para atacar instituições nacionais.

Convenções reforçam polarização internacional

A presença de Javier Milei na convenção de Flávio Bolsonaro foi interpretada por aliados do senador como demonstração do alinhamento entre líderes da direita latino-americana. Durante o evento, o argentino apareceu ao lado de Flávio exibindo uma bandeira do Brasil e uma camisa da seleção argentina.

Antes da convenção, Milei foi recebido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), no Palácio dos Bandeirantes, onde recebeu a Medalha da Ordem do Ipiranga, principal honraria concedida pelo Governo de São Paulo.

Já o evento do PT concentrou o discurso de Lula na defesa da democracia, da soberania nacional e do processo eleitoral brasileiro, em meio ao aumento da polarização política e às discussões sobre a participação de lideranças estrangeiras na campanha presidencial de 2026.

A coincidência dos horários e a diferença de apenas 17 segundos entre os discursos transformaram os dois eventos em um dos episódios mais marcantes da disputa eleitoral, reforçando o contraste entre os projetos políticos defendidos por Lula e por Milei, além de ampliar o debate sobre os limites da atuação de autoridades estrangeiras nas eleições brasileiras.

Fonte: Clique aqui

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