Lula dá bronca em Mauro Vieira por dizer que EUA podem intervir no Brasil
O presidente Lula da Silva (PT) repreendeu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após a divulgação de um documento oficial do Itamaraty que apontou a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro. A informação foi publicada pelo Poder360, que informou ter apurado que o presidente telefonou ao chanceler para demonstrar insatisfação com o episódio.
O documento foi encaminhado à Câmara dos Deputados em resposta a um requerimento do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES). No texto, o Itamaraty avaliou que a decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital e o CV como organizações terroristas poderia abrir caminho para eventual uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
De acordo com a reportagem do Poder360, Lula considerou um erro o envio da resposta oficial ao Congresso com esse conteúdo. A avaliação também teria causado desconforto no Palácio do Planalto, entre integrantes das Forças Armadas e dentro do próprio Ministério das Relações Exteriores, diante da repercussão diplomática provocada pelo documento.
O governo dos Estados Unidos voltou a rebater oficialmente a interpretação do Itamaraty. Em nota, um porta-voz do Departamento de Estado classificou a avaliação brasileira como “absurda” e afirmou que a legislação norte-americana sobre a classificação de organizações terroristas não prevê qualquer autorização para intervenção militar em território brasileiro. Segundo Washington, as medidas envolvem restrições financeiras, bloqueio de ativos e sanções migratórias contra integrantes e apoiadores de grupos criminosos.
A controvérsia também chegou ao Congresso Nacional. As Comissões de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e do Senado aprovaram convocações e convites para que Mauro Vieira preste esclarecimentos sobre os fundamentos utilizados pelo Itamaraty ao apontar o suposto risco de intervenção militar dos Estados Unidos. Parlamentares pretendem questionar o embasamento técnico e jurídico adotado pelo ministério na resposta encaminhada ao Legislativo.
Nos bastidores, diplomatas ouvidos pelo Poder360 afirmam que a análise apresentada pelo Itamaraty representa um “cálculo de risco”, baseado em hipóteses relacionadas à política externa norte,americana e a precedentes de operações militares realizadas em outros países. Ainda assim, a própria administração do presidente Donald Trump (Partido Republicano) já havia negado publicamente qualquer possibilidade de ação militar contra o Brasil em decorrência da classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
Nem o Itamaraty nem a Secretaria de Comunicação Social da Presidência até o momento emitiu posicionamento oficial sobre a suposta reprimenda de Lula ao ministro Mauro Vieira. O Ministério das Relações Exteriores também negou, em caráter reservado, que o telefonema tenha ocorrido, embora o Poder360 tenha mantido sua apuração sobre a conversa entre o presidente e o chanceler.
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