Fachin cria força-tarefa para revisar penduricalhos e salários de magistrados em todo o país
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, anunciou a criação de um grupo de trabalho destinado a realizar uma ampla revisão das verbas remuneratórias e indenizatórias pagas aos magistrados brasileiros. A iniciativa busca enfrentar distorções salariais, fortalecer a transparência e estabelecer critérios mais uniformes para os pagamentos realizados em todo o Judiciário.
A comissão, que deverá ser formalizada nos próximos dias, terá prazo de até seis meses para apresentar propostas voltadas à padronização e previsibilidade da remuneração da magistratura. O trabalho ocorre em meio ao debate nacional sobre os chamados “penduricalhos”, verbas que, em determinadas situações, permitem que remunerações ultrapassem o teto constitucional do funcionalismo público.
Entre as primeiras tarefas do grupo estará a elaboração de um diagnóstico detalhado dos pagamentos realizados pelos diversos tribunais do país. O levantamento deverá identificar a natureza jurídica das verbas, os fundamentos legais utilizados para sua concessão e os impactos sobre o limite remuneratório previsto na Constituição.
A medida representa mais um passo do CNJ no esforço para ampliar o controle sobre os supersalários no serviço público. Em março deste ano, o STF definiu parâmetros para o pagamento de verbas indenizatórias, estabelecendo que esses valores não poderão ultrapassar 70% da remuneração mensal do agente público, observando o teto constitucional vigente.
Outra iniciativa recente foi a criação do contracheque nacional padronizado para magistrados, implementada pelo CNJ em maio. A ferramenta concentra em um único documento as informações sobre salários, benefícios e pagamentos extraordinários, facilitando o acompanhamento e a fiscalização pela sociedade.
Segundo Fachin, a falta de uniformidade entre os mais de 90 tribunais brasileiros contribuiu para a formação de diferentes interpretações administrativas sobre remuneração, gerando desigualdades, insegurança jurídica e dificuldades de controle.
O ministro também apontou que, ao longo dos anos, verbas indenizatórias passaram a ser utilizadas em alguns casos com efeitos semelhantes aos de parcelas remuneratórias, criando mecanismos que permitiam compensar a defasagem do teto salarial sem uma regulamentação uniforme.
Além de magistrados e integrantes da estrutura do CNJ, o grupo contará com representantes de outras instituições. Estão previstas participações de membros do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Defensoria Pública da União, defensorias estaduais, Advocacia Pública da União, procuradorias estaduais, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Tribunal de Contas da União (TCU).
A proposta também prevê a realização de estudos técnicos que possam contribuir para uma política remuneratória mais estável e transparente no Judiciário brasileiro.
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