Senador cobra explicações sobre troca de delegado da PF que investigava fraudes no INSS
O senador Sergio Moro (PL-PR) intensificou a pressão sobre o Ministério da Justiça após a substituição do delegado Guilherme Figueiredo Silva da chefia da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários da Polícia Federal, responsável pelas investigações sobre descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Pré-candidato ao governo do Paraná, Moro endossou um requerimento apresentado pelo senador Jaime Bagattoli, que solicita esclarecimentos ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, sobre os motivos da troca no comando da investigação. O documento já está sob análise da Mesa Diretora do Senado, presidida por Davi Alcolumbre, em meio ao ambiente de tensão política entre o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto.
O foco do requerimento é garantir transparência administrativa e assegurar que a mudança não comprometa o andamento das apurações sobre possíveis desvios envolvendo recursos públicos da Previdência Social. Os parlamentares também pedem informações detalhadas sobre a continuidade dos inquéritos conduzidos pela Polícia Federal.
No documento encaminhado ao Senado, os senadores afirmam que a substituição de uma autoridade policial em investigações consideradas sensíveis exige justificativa clara e demonstração inequívoca de que não houve prejuízo à autonomia técnica dos trabalhos em andamento.
“A substituição de autoridade policial que atuava em apurações sensíveis, envolvendo possíveis desvios em recursos públicos e investigações de alta complexidade, recomenda transparência administrativa, motivação adequada e demonstração inequívoca de que não houve prejuízo à continuidade, à autonomia técnica e à regularidade procedimental das diligências em curso”, destaca o texto do requerimento.
A investigação conduzida pela PF mira um esquema de descontos indevidos aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, tema que ganhou repercussão nacional e passou a mobilizar setores da oposição no Congresso.
Nos bastidores políticos, aliados de Moro avaliam que a troca do delegado responsável pelo caso ampliou a pressão sobre o governo federal e fortaleceu o discurso da oposição por maior fiscalização das ações do Ministério da Justiça e da Polícia Federal.
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