Otto Alencar recua de ministério e cenário nacional expõe isolamento de Lula com PSD e MDB
A tentativa do Palácio do Planalto de reforçar sua articulação política sofreu um revés nos bastidores de Brasília. A possibilidade de o senador pela Bahia, Otto Alencar (PSD) assumir o Ministério das Relações Institucionais perdeu força, em meio a resistências estratégicas e ao temor de enfraquecimento no Senado, como registra a Folha de S. Paulo.
O principal fator para o recuo seria o risco político de deixar o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada a mais poderosa da Casa. Mas a verdade não foi essa. Aliados avaliam que a saída de Otto abriria espaço para maior influência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em um momento de relação instável com o governo federal.
PSD fecha com Tarcísio e se distancia de Lula
Enquanto o Planalto perde força na tentativa de atrair Otto, o cenário nacional aponta para um movimento mais amplo de afastamento. O PSD, comandado por Gilberto Kassab, já dá sinais claros de alinhamento com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Nos bastidores, a leitura é direta: Kassab não deve embarcar no projeto de reeleição de Lula, priorizando a construção de um campo próprio com forte presença nos estados e diálogo com a direita.
Esse movimento enfraquece a estratégia de Lula de ampliar sua base ao centro, especialmente em um cenário de desgaste político e disputa eleitoral acirrada.
MDB também se afasta
O isolamento do governo não se restringe ao PSD. O MDB, outro partido estratégico, também dá sinais de distanciamento. Lideranças da legenda já admitem que não haverá aliança nacional com Lula, optando por acordos regionais e até aproximações com adversários do PT.
Na Bahia, o cenário ganha contornos ainda mais delicados. Apesar de ocupar a vice-governadoria na chapa de Jerônimo Rodrigues, o MDB tem demonstrado insatisfação com o tratamento recebido pelo governo estadual e pelo próprio Planalto.
Diante desse cenário, já há articulações indicando que o MDB pode migrar para um novo campo político na Bahia, com possibilidade de apoiar uma chapa de oposição liderada por ACM Neto (União Brasil) e Zé Cocá (PP).
A movimentação evidencia que a Bahia segue como peça central no tabuleiro político nacional. Com mais de duas décadas de domínio do PT no estado, qualquer fissura na base aliada pode ter impacto direto na eleição presidencial.
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