Durigan assume desafio de administrar dívida próxima a 80% do PIB em meio à crise do petróleo
A troca no comando do Ministério da Fazenda ocorre em um dos momentos mais delicados da economia brasileira nos últimos anos. O advogado Dario Durigan assume a pasta após a saída de Fernando Haddad, que deixou o cargo para disputar o governo de São Paulo, com a missão de equilibrar as contas públicas em meio a uma combinação explosiva de dívida elevada e instabilidade internacional.
A indicação foi oficializada com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que passou a apresentar Durigan como responsável direto pelas decisões econômicas do governo.
Dívida elevada
Durigan assume com a dívida pública brasileira próxima de 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), um dos principais pontos de atenção do mercado.
O desafio ganha ainda mais complexidade com a escalada da crise no Irã, que pressiona o preço do petróleo e pode impactar diretamente a inflação e o custo de vida no Brasil.
Segundo o próprio ministro, a orientação do governo é clara, evitar que “o preço da guerra chegue às famílias brasileiras”.
Antes mesmo da confirmação no cargo, Dario Durigan já atuava na linha de frente das negociações, propondo que estados zerem temporariamente o ICMS sobre a importação de diesel.
A alternativa em discussão envolve um modelo de divisão de custos entre União e estados para subsidiar o combustível, medida que depende do aval dos governadores.
Além do cenário externo, o novo ministro terá que lidar com um Congresso Nacional em ritmo mais lento por conta do calendário eleitoral e desgastado por escândalos recentes.
A agenda econômica inclui temas sensíveis, como corte de supersalários, reforma da previdência de militares e regulamentação de grandes empresas de tecnologia, além da implementação do Imposto Seletivo previsto na reforma tributária.
Orçamento apertado
Outro desafio central será administrar um orçamento comprimido por despesas obrigatórias, ao mesmo tempo em que o governo mantém programas sociais e incentivos.
Especialistas apontam que o modelo fiscal atual enfrenta dificuldades para cumprir metas, o que aumenta a pressão por novas receitas ou ajustes.
Homem de confiança de Fernando Haddad, Durigan já atuava como secretário-executivo da pasta e deve manter a linha econômica adotada até aqui.
Com passagem pela Advocacia-Geral da União e pelo setor privado, o novo ministro é visto como um articulador técnico, sem base política própria, o que pode ser um fator de risco em negociações no Congresso.
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