Neurocientista e psicanalista Ana Chaves explica como acúmulo de funções intensifica a sobrecarga emocional
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A dupla jornada ainda é realidade para milhões de brasileiras e impõe impactos diretos à saúde mental feminina. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o debate ganha força diante de dados recentes que apontam que 38% das mulheres acumulam trabalho remunerado com responsabilidades domésticas e familiares. O cenário evidencia uma rotina marcada por exaustão física e desgaste psicológico.
Para a neurocientista e psicanalista Ana Chaves, a sobrecarga constante cria um ambiente propício ao adoecimento emocional. “A mulher que vive sob dupla jornada raramente consegue estabelecer pausas reais. Existe uma pressão social histórica que naturaliza essa acumulação de funções, o que faz com que muitas nem percebam que estão em processo de esgotamento”, analisa.
Segundo Ana, os principais reflexos aparecem em forma de ansiedade, irritabilidade, distúrbios do sono e sensação permanente de culpa — especialmente quando a mulher sente que não consegue corresponder às expectativas no trabalho e em casa. A longo prazo, o quadro pode evoluir para burnout, depressão e outras condições que comprometem qualidade de vida e produtividade.
Ana Chaves destaca que enfrentar o problema exige mudança cultural e reorganização prática da rotina. “Não se trata apenas de autocuidado individual, mas de divisão real de responsabilidades dentro das famílias e ambientes de trabalho mais sensíveis às demandas femininas. Cuidar da saúde mental da mulher é também promover equilíbrio social”, afirma.
Entre os caminhos possíveis estão a redistribuição das tarefas domésticas, o estabelecimento de limites profissionais, a construção de redes de apoio e a busca por acompanhamento psicológico quando necessário. “O Dia da Mulher deve ir além de homenagens simbólicas e servir como ponto de reflexão sobre condições concretas de bem-estar”, frisa a neurocientista.
Sobre Ana Chaves
Neurocientista e psicanalista renomada, Ana Chaves se dedica a estudar o funcionamento do cérebro humano e a capacitar indivíduos a alcançarem seu potencial máximo. Através de uma abordagem holística e científica, Ana inspira e orienta aqueles que buscam crescimento pessoal e profissional. Colabora com o UOL e Valor Econômico com colunas mensais sobre equilíbrio emocional e desenvolvimento humano. Também realiza palestras e mentorias, já tendo impactado a vida de mais de 5 mil pessoas.
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