Reforma Tributária acende alerta no setor de eventos e pode ampliar desigualdade, diz Abrafesta
A regulamentação da Reforma Tributária, sancionada em janeiro de 2026, já provoca forte reação no setor de eventos. A Abrafesta afirma que o novo sistema pode criar um ambiente desigual, favorecendo empresas maiores e com maior capacidade de aproveitar créditos tributários, enquanto micro e pequenas companhias correm o risco de arcar com carga proporcionalmente maior.
O presidente da entidade, Ricardo Dias, avalia que o modelo baseado no IVA Dual exige alto nível de compliance, governança de dados e maturidade tecnológica, cenário que pode ampliar as assimetrias internas no segmento.
“O novo modelo tende a valorizar empresas com maior capacidade de compliance, governança de dados e maturidade tecnológica. Isso pode ampliar desigualdades no setor”, afirmou.
Risco de informalidade
A preocupação central da Abrafesta é que o texto final da lei traga desafios operacionais que penalizem quem tem menor estrutura administrativa. A entidade defende padronização nacional, integração eficiente de sistemas e segurança jurídica durante a transição, sob pena de aumento da informalidade.
Segundo a associação, é fundamental assegurar previsibilidade fiscal, reduzir impactos operacionais e evitar insegurança jurídica, principalmente em um setor caracterizado por múltiplos prestadores de serviço e cadeias integradas, como buffets, locadoras, montadoras de estruturas, técnicos e produtores.
O que muda com a Reforma Tributária
A Reforma Tributária entrou oficialmente em fase de testes em janeiro de 2026. O novo sistema substituirá cinco tributos sobre consumo por dois impostos principais:
- CBS, tributo federal
- IBS, tributo estadual e municipal
Serão extintos gradualmente PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS até 2033, quando o modelo de IVA Dual estará plenamente implementado.
Em 2026, a cobrança ocorre com alíquotas simbólicas de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS, etapa considerada pedagógica, sem impacto financeiro imediato. Já em 2027, entram em vigor as alíquotas definitivas da CBS, que substituirá PIS e Cofins.
Entre 2029 e 2032, ICMS e ISS serão substituídos gradualmente pelo IBS, até que, em 2033, o novo sistema esteja totalmente consolidado.
Pequenos negócios sob pressão
A Abrafesta alerta que, apesar de o Simples Nacional permanecer inalterado durante a fase inicial de testes, a complexidade do novo sistema pode exigir investimentos em tecnologia, consultoria e adequações fiscais que pesam mais no orçamento das pequenas empresas.
O receio é que a promessa de simplificação tributária resulte, na prática, em custos adicionais para quem não possui estrutura robusta de gestão.
Debate ainda aberto
A entidade afirma estar dialogando com órgãos federais, estados e municípios para propor ajustes técnicos e minimizar distorções. O objetivo é evitar que a Reforma Tributária, concebida para simplificar o sistema e ampliar a justiça fiscal, gere concentração de mercado no setor de eventos.
Enquanto o governo sustenta que o novo modelo elimina a cumulatividade e reduz a burocracia, empresários do setor acompanham atentos os próximos passos da transição, conscientes de que, no papel, a simplificação é clara, mas na prática, a adaptação pode ser complexa e desigual.
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