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Município nordestino fica sem comando após prisão de prefeito, vice e vereadores por corrupção

A Justiça do Maranhão decidiu intervir no município de Turilândia após vir à tona um esquema de corrupção que teria drenado ao menos R$ 56 milhões da área da saúde. A medida extrema, aprovada por unanimidade pelo Tribunal de Justiça do Estado, ocorre em meio à prisão do prefeito Paulo Curió (União Brasil), da vice-prefeita Tânya Mendes (PRD) e ao envolvimento direto de 11 vereadores, além de familiares e empresários ligados ao grupo político que comandava a cidade.

A decisão determina que o governo estadual nomeie um interventor no prazo de até 15 dias. A intervenção terá duração inicial de seis meses, com possibilidade de prorrogação, diante do que os magistrados classificaram como um quadro de completa desorganização administrativa e uso da máquina pública para enriquecimento ilícito desde 2021.

Foto: MP-MA

Segundo o entendimento do relator, desembargador Gervásio dos Santos, o desvio milionário comprometeu serviços essenciais e tornou inviável qualquer solução pela linha sucessória. Isso porque até mesmo o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz, o Pelego (União Brasil), que chegou a assumir interinamente a prefeitura, também figura entre os investigados e cumpre prisão domiciliar.

O esquema revelado pela Operação Tântalo expôs um modelo de corrupção descrito como generalizado. Empresas de fachada eram criadas para fraudar licitações, simular concorrência, emitir notas por serviços inexistentes e devolver a maior parte dos recursos desviados ao núcleo político da organização. As investigações apontam que cerca de 95% das licitações do município foram manipuladas.

O prefeito Paulo Curió é apontado como líder da organização criminosa e principal beneficiário do esquema. Interceptações revelam o uso de cartões corporativos de empresas contratadas pela prefeitura e referências frequentes a sobras mensais de dinheiro público. Já a vice-prefeita Tânya Mendes e a ex-vice-prefeita Janaína Soares Lima aparecem como figuras centrais na engrenagem empresarial que sustentava os desvios, incluindo contratos milionários com um posto de combustíveis que, segundo a acusação, não condiziam com o consumo real.

A Câmara Municipal também teria sido capturada pelo esquema. Vereadores teriam recebido, juntos, cerca de R$ 2,3 milhões em propina para aprovar contas e fechar os olhos às irregularidades do Executivo, consolidando um pacto de silêncio institucional.

Além da nomeação do interventor, o tribunal determinou a realização de uma auditoria completa nas contas do município. Uma equipe técnica deverá apresentar, em até 100 dias, um diagnóstico detalhado da situação financeira, orçamentária e operacional da prefeitura, inclusive sobre a prestação de serviços básicos à população.

Cabe agora ao governador Carlos Brandão (PSB) indicar o interventor que assumirá o comando de Turilândia, município que, diante do escândalo, ficou praticamente sem governo e se tornou símbolo de como a corrupção sistêmica pode corroer por completo as estruturas do poder local.

Fonte: Clique aqui

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