Ato de Lula e MST em Salvador exibe bandeiras de Cuba e defesa de Maduro
O encerramento do 14º Encontro Nacional do MST, realizado nesta última sexta-feira (23) em Salvador, se transformou em um grande ato político e ideológico da esquerda. Com a presença do presidente Lula da Silva (PT) e de lideranças do governo federal, o evento foi marcado por discursos eleitorais, protestos internacionais e mensagens diretas contra a oposição de direita.
Reunindo cerca de 3 mil militantes de várias regiões do país, o encontro exibiu bandeiras da Palestina e de Cuba, além de faixas pedindo a liberdade de Nicolás Maduro e ataques ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O ambiente reforçou o alinhamento do MST a pautas internacionais e a governos autoritários, em contraste com o discurso democrático adotado pelo Palácio do Planalto.
Durante sua fala, Lula deixou claro que pretende disputar a próxima eleição presidencial e adotou um tom de confronto. Disse estar preparado para enfrentar “quem vier” e classificou a direita como “fascista”, sem citar nomes diretamente. O presidente afirmou que a campanha será marcada por embates duros e prometeu combater o que chamou de mentiras e fake news.
O discurso também teve recados ao Congresso. Lula declarou apoio à candidatura de integrantes do MST ao Legislativo, defendendo que eles façam contraponto à bancada ruralista. A sinalização ocorre após meses de tensão entre o governo e o movimento, que vinha cobrando avanços mais rápidos na reforma agrária e liberação de recursos para a agricultura familiar.
Além do cenário interno, Lula voltou a mirar o cenário internacional. Criticou a política externa dos Estados Unidos, atacou Trump e comentou a situação da Venezuela, adotando tom de defesa do regime de Maduro. As declarações arrancaram aplausos da militância, mas ampliam o desgaste do governo junto a setores mais moderados.
No campo da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como principal nome da direita para a disputa presidencial, com o aval do pai, Jair Bolsonaro (PL-RJ), que está preso e inelegível. A pré-candidatura, no entanto, tem provocado ruídos internos.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira que vai trabalhar em prol de Flávio Bolsonaro, tentando conter especulações sobre uma eventual candidatura própria ao Planalto. Mesmo assim, aliados bolsonaristas seguem desconfiados, especialmente após o cancelamento de uma visita que Tarcísio faria a Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha.
Nos bastidores, a disputa por protagonismo na direita avança, enquanto Lula aposta na militância organizada e em discursos cada vez mais ideológicos para sustentar seu projeto.
O ato do MST aqui em Salvador deixou claro que a campanha já começou, e será marcada por polarização, radicalização e embates dentro e fora do país.
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