ULTIMAS

Restrição a voto de presos provisórios acende alerta no PT e ameaça estratégia de Lula

A aprovação, na Câmara dos Deputados, de uma emenda que proíbe presos provisórios de votar provocou forte reação dentro do governo e acendeu um sinal vermelho no Partido dos Trabalhadores. A medida, que ainda será analisada pelo Senado, pode afetar diretamente um segmento do eleitorado tradicionalmente associado a votações expressivas para o presidente Lula (PT) e para candidatos petistas em todo o país.

Impacto direto no eleitorado de Lula pode redesenhar cenário de 2026

Embora represente uma fatia pequena do total de eleitores, o voto de presos provisórios, que legalmente não estão condenados e, portanto, têm seus direitos políticos preservados, é considerado relevante para o PT em disputas apertadas. Nas eleições de 2022, por exemplo, 12.903 detentos aptos participaram do pleito. Historicamente, esse grupo mostra tendência fortemente favorável ao ex-presidente Lula e ao partido.

Com a emenda aprovada, essa participação pode ser completamente anulada. A medida também ameaça o desempenho de deputados e senadores petistas em redutos onde cada voto se torna decisivo.

Avanço da emenda ocorre na contramão das regras atuais

O texto, de autoria do deputado Marcel Van Hatten (Novo-RS), estende aos presos provisórios, que ainda não têm condenação definitiva, a suspensão dos direitos políticos, hoje aplicada apenas a condenados com sentença transitada em julgado.

Na Câmara, Van Hatten afirmou que permitir que detentos votem seria uma “regalia” e um “contrassenso” para quem está afastado da sociedade. O argumento desagradou parlamentares governistas, que acusaram a oposição de tentar interferir no processo eleitoral ao retirar um grupo identificado como amplamente simpático ao presidente.

PT reage e vê ataque direto ao sistema democrático

Durante o debate, o líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que a medida abre precedente perigoso e contraria a presunção de inocência. Ele lembrou que a Constituição preserva os direitos políticos de quem ainda não foi condenado.

Para integrantes da legenda, a manobra é parte de uma estratégia maior da oposição de reduzir bases eleitorais tradicionalmente ligadas ao Lula, sobretudo após o resultado apertado da última eleição presidencial.

Juristas consultados avaliam que, se aprovada no Senado, a emenda deve enfrentar contestação judicial imediata. O professor Álvaro Jorge, da FGV-Rio, lembra que a Constituição é clara ao condicionar a perda de direitos políticos apenas à condenação definitiva, o que não se aplica aos presos provisórios.

A eventual mudança poderia ser interpretada como uma forma indireta de punição antecipada, violando o princípio da presunção de inocência.

Números mostram baixa participação, mas relevância política

Mesmo com estrutura montada pelo TSE desde 2010 para permitir votação em presídios, a adesão dos presos provisórios nunca atingiu grandes percentuais. Em 2022, apenas 7,15% votaram. Em 2024, sete estados sequer instalaram urnas.

Ainda assim, no cálculo político, pouco mais de 12 mil votos podem fazer diferença, principalmente para chapas federais e estaduais do PT em regiões onde a disputa se afunila.

Senado será palco de nova batalha política

A matéria será discutida em audiência pública nesta terça-feira (2) e deve enfrentar forte pressão dos dois lados. A oposição tratará a proposta como “correção necessária” ao sistema eleitoral, enquanto o governo e o PT buscarão impedir o avanço da medida, que veem como um golpe eleitoral silencioso.

 

Fonte: Clique aqui

Gostou dessa postagem?
Compartihe..