Operação do Rio muda visão do PL sobre candidatura de Cláudio Castro ao Senado
A Argentina elevou o nível de alerta em suas fronteiras e passou a tratar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A medida, anunciada nesta quarta-feira (30) pela ministra da Segurança, Patricia Bullrich, ocorre em meio à repercussão internacional da megaoperação policial no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes — incluindo quatro agentes de segurança — nos complexos do Alemão e da Penha.
“Vamos colocar o alerta máximo nas fronteiras para impedir a travessia de quem possa estar se deslocando do centro do conflito no Rio. Todos os brasileiros que entrarem no país serão examinados minuciosamente, mas sem confundir turistas com criminosos”, declarou Bullrich.
A orientação do governo argentino determina fiscalização reforçada nas fronteiras com o Brasil e o Paraguai, com inspeções detalhadas e verificação de antecedentes criminais. A ação se concentra especialmente nos postos de controle do norte e nordeste argentino, por onde tradicionalmente passam rotas de tráfico de drogas e armas.
A decisão foi tomada após investigações revelarem a presença crescente de facções brasileiras na Argentina, operando esquemas milionários de lavagem de dinheiro e tráfico internacional. Um relatório da Procuradoria de Crimes Econômicos e Lavagem de Dinheiro (PROCELAC) apontou que uma rede ligada ao Comando Vermelho movimentou mais de US$ 500 milhões em criptoativos entre 2015 e 2023, utilizando empresas de fachada e fundos de investimento para mascarar recursos oriundos do narcotráfico.
O caso levou à condenação de oito pessoas pela Justiça Federal argentina, com penas de até três anos de prisão e multas superiores a 2,4 bilhões de pesos. Outros cinco acusados — apontados como operadores financeiros do CV — ainda aguardam julgamento em Buenos Aires.
Relatórios de inteligência também indicam que o PCC ampliou sua presença no país, com 28 integrantes identificados, metade já detida em presídios das províncias de Santa Fé, Chaco e Entre Ríos. Entre os nomes citados estão Adriano Giménez Morales, paraguaio preso por tráfico, e Jonathan Renato Gonçalves, brasileiro detido em Buenos Aires, ambos com ligações diretas com facções atuantes no Brasil.
As autoridades argentinas relatam ainda a descoberta de símbolos, tatuagens e rituais típicos dessas organizações criminosas, evidenciando uma importação de práticas e códigos das prisões brasileiras para o sistema carcerário local.
Com a medida, o governo de Javier Milei tenta blindar o país contra a expansão do crime organizado transnacional, num momento em que a crise de segurança pública brasileira volta a dominar o noticiário internacional após a operação mais letal da história do Rio de Janeiro.
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