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Associações ligadas a ex-sócio do Master tinham 103 mil descontos em folhas de servidores da Bahia

Duas associações de servidores da Bahia ligadas ao empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, tinham juntas 103.287 autorizações de desconto em contracheques de servidores baianos em 2025. Segundo documentos da investigação, o valor estimado dessas carteiras chegava a aproximadamente R$ 1 bilhão.

As informações foram divulgadas pelo jornalista João Pedro Pitombo, da Folha de S. Paulo, em reportagem publicada nesta quinta-feira (17). Os dados fazem parte do inquérito da Polícia Federal que apura suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito do Master.

As entidades, Asteba e Asseba, entraram no radar da investigação depois que o Master informou ao Banco Central que elas seriam responsáveis pela origem de créditos consignados que integravam uma carteira de R$ 6,7 bilhões vendida ao BRB. A explicação, porém, foi questionada pelo Banco Central.

Documentos do governo baiano indicaram que os descontos vinculados às associações correspondiam a mensalidades e serviços associativos, e não a empréstimos consignados. Em 2025, a Asteba tinha 52.176 autorizações, enquanto a Asseba registrava 51.111.

Versões sobre os créditos

Após os questionamentos do Banco Central, o Master passou a atribuir os créditos à empresa Tirreno. Segundo os investigadores, essa segunda explicação também apresentou inconsistências. O BC não teria identificado movimentação financeira compatível com uma operação daquele tamanho, e o único relacionamento da empresa no sistema financeiro era com o próprio Master.

Mesmo diante das divergências apontadas na investigação, as carteiras foram revendidas ao BRB entre janeiro e maio de 2025 por R$ 12,2 bilhões, incluindo um prêmio de R$ 5,5 bilhões, segundo a apuração da Folha.

O Ministério Público Federal também investiga a relação entre Augusto Lima e as duas associações. Conforme relatório citado na investigação, as entidades teriam sido criadas e controladas por Lima. As associações também compartilhavam informações de contato com a Terra Firme da Bahia, empresa de propriedade do empresário.

As entidades foram alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Lima chegou a ser preso e atualmente cumpre medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico.

Defesa contesta acusações

A defesa de Augusto Lima nega as acusações e afirma que a vinculação das associações aos créditos vendidos ao BRB ocorreu por equívoco do Banco Master. Os advogados também sustentam que o empresário não possuía procuração nem movimentava as contas das entidades.

A defesa ressalta ainda que Lima deixou formalmente a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024, segundo documentação do Banco Central, e afirma que sua relação com as associações era baseada em contratos regulares de prestação de serviços.

A apuração sobre as associações ocorre dentro de uma investigação mais ampla sobre as operações do Banco Master e as carteiras de crédito negociadas com o BRB. A documentação do caso passou a ter maior publicidade após decisões judiciais que suspenderam o sigilo de parte dos autos.

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