ULTIMAS

Crise no Estreito de Ormuz ameaça empresas responsáveis por 70% do emprego mundial

As perturbações no Estreito de Ormuz podem provocar impactos desproporcionais sobre pequenas e médias empresas, justamente as responsáveis por uma parcela decisiva da economia mundial. Segundo uma nova análise da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, essas empresas representam cerca de 90% dos negócios, 70% do emprego e 50% do PIB global.

O alerta ocorre em meio aos efeitos da crise sobre os fluxos de energia e o comércio internacional. O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo e movimenta cerca de um quarto do comércio marítimo global de petróleo, além de volumes relevantes de gás natural liquefeito e fertilizantes.

Pequenas empresas têm menos capacidade para absorver o choque

De acordo com a Unctad, companhias de maior porte conseguem distribuir os riscos entre diferentes fornecedores, mercados e fontes de financiamento. Empresas menores, por outro lado, possuem menos alternativas quando aumentam os custos de energia, transporte, seguros e crédito.

A consequência pode ser uma redução das margens de lucro, queda da produção, adiamento de investimentos e até saída de empresas dos mercados.

O problema não termina necessariamente quando o comércio internacional volta a crescer. A agência da ONU alerta para um possível “efeito de exclusão”, no qual as empresas menores deixam de participar das cadeias globais de valor, enquanto a recuperação dos números gerais do comércio esconde uma concentração maior da atividade econômica entre grandes companhias.

Economias em desenvolvimento estão mais vulneráveis

O impacto tende a ser ainda maior nos países em desenvolvimento, onde pequenas empresas enfrentam maiores dificuldades para obter crédito, adquirir insumos e encontrar mercados alternativos.

A experiência da pandemia de Covid-19 é citada pela Unctad como exemplo. Naquele período, empresas menores registraram quedas de vendas geralmente mais acentuadas, sobretudo nas economias em desenvolvimento.

A agência também aponta que custos mais elevados de importação, financiamento e logística podem comprometer a capacidade dessas empresas de permanecerem integradas às cadeias internacionais.

Estreito de Ormuz já pressiona comércio e energia

Os efeitos da crise vão além das pequenas empresas. Em análise anterior, a Unctad apontou que a interrupção do tráfego pelo Estreito de Ormuz provocou aumento dos preços de energia, fretes e seguros, com reflexos sobre as cadeias globais de abastecimento.

A entidade alertou ainda que a combinação entre energia mais cara, inflação, custos de transporte e condições financeiras mais restritivas pode atingir com maior intensidade os países que possuem menor capacidade fiscal para absorver novos choques.

ONU defende medidas para proteger empresas menores

Para reduzir os efeitos da crise, a Unctad defende medidas que mantenham não apenas o comércio internacional em funcionamento, mas também as pequenas empresas conectadas aos mercados.

Entre as medidas apontadas estão:

  1. Monitorar a participação das pequenas empresas no comércio internacional;
  2. Ampliar o acesso ao financiamento comercial, liquidez e capital de giro;
  3. Garantir serviços logísticos confiáveis e com custos acessíveis;
  4. Facilitar o acesso a informações de mercado e serviços empresariais;
  5. Aumentar a produtividade e a competitividade das empresas menores;
  6. Ajudar essas companhias a diversificar fornecedores e clientes.

Para a organização, preservar a participação das pequenas e médias empresas nas cadeias de valor é fundamental para evitar que uma eventual recuperação do comércio mundial ocorra acompanhada de maior concentração econômica e perda de empregos.

 

Fonte: Clique aqui

Gostou dessa postagem?
Compartihe..