ULTIMAS

Fala de Wagner sobre “pingadinho” fortalece Coronel na disputa pelo Senado na Bahia

Uma declaração de Jaques Wagner (PT) sobre a destinação de emendas parlamentares aos municípios baianos acabou abrindo uma nova frente de disputa na corrida pelo Senado. Ao classificar como “pingadinho” a distribuição de recursos diretamente às prefeituras e, posteriormente, associar o excesso de pulverização das emendas a “corrupção” e “desperdício”, o senador provocou reações de lideranças municipais e deu espaço para o discurso de Angelo Coronel (Republicanos), seu adversário na eleição.

A declaração foi feita inicialmente durante uma reunião com prefeitos e lideranças políticas. Na ocasião, Wagner explicou que prefere concentrar suas emendas em ações do governo estadual, em vez de dividir os recursos entre os 417 municípios da Bahia. “Eu não vou fazer um pingadinho para um e não vou fazer para outro”, afirmou.

Dias depois, durante sabatina na TV Aratu, o senador voltou ao assunto e afirmou ser contrário ao que considera um exagero na distribuição das emendas. Segundo ele, o modelo teria contribuído para corrupção e desperdício de dinheiro público.

Coronel transforma crítica em discurso eleitoral

A reação foi imediata. Coronel passou a explorar politicamente a declaração e defendeu a distribuição direta de recursos para as prefeituras, argumentando que valores menores podem ter impacto significativo na ponta.

“Para quem recebeu, tem um significado, um valor muito grande”, afirmou o senador, ao rebater a expressão utilizada pelo adversário. Segundo ele, sua atuação procura alcançar municípios de diferentes regiões, independentemente da posição política dos prefeitos.

Dados apresentados pelo próprio Coronel, com base no Portal da Transparência, apontam que ele destinou cerca de R$ 319,2 milhões em emendas, com a maior parte dos recursos direcionada diretamente aos municípios baianos.

Levantamento publicado pelo Brado Jornal aponta ainda que recursos atribuídos ao senador chegaram a 406 dos 417 municípios da Bahia, o equivalente a 97,36% das cidades do estado.

Prefeitos dizem que recursos menores fazem diferença

A discussão ganhou força entre gestores municipais porque as prefeituras são responsáveis por boa parte da execução de serviços que afetam diretamente a população, principalmente nas áreas de saúde, educação, infraestrutura e assistência social.

É justamente nesse ponto que o discurso de Coronel encontra espaço. A estratégia de distribuir recursos para um grande número de municípios permite ao senador apresentar uma atuação de forte presença territorial, enquanto Wagner defende uma concentração maior das emendas em projetos considerados estratégicos.

Na avaliação de aliados de Coronel, a fala do adversário acabou reforçando justamente uma das principais bandeiras de sua campanha, o municipalismo.

Uma liderança política do Recôncavo, Marcelo Pedreira, ex-prefeito de Governador Mangabeira, criticou publicamente Wagner e afirmou que os municípios são os principais responsáveis por atender demandas básicas da população.

Diferença de estratégia entre os dois senadores

A disputa expõe duas concepções distintas sobre a utilização das emendas parlamentares. De um lado, Wagner afirma que não pretende pulverizar recursos entre centenas de municípios e opta por concentrá-los no governo estadual. Do outro, Coronel apresenta como principal argumento a distribuição direta às prefeituras.

Segundo levantamento publicado pelo Sigi Vilares, dados do Portal da Transparência indicariam que, de aproximadamente R$ 310,8 milhões em emendas atribuídas a Wagner, cerca de 99% teriam sido destinados ao governo estadual, enquanto uma parcela menor aparece vinculada diretamente a municípios baianos.

A diferença de estratégia pode ganhar peso na eleição porque prefeitos e lideranças municipais possuem forte capacidade de mobilização local, especialmente em cidades pequenas e médias.

“Pingadinho” vira munição na campanha

O que começou como uma explicação sobre a estratégia de distribuição de emendas acabou se transformando em um dos temas explorados na disputa pelo Senado.

Para Coronel, a expressão utilizada por Wagner permite reforçar a imagem de um mandato voltado aos municípios. Para o grupo de Wagner, a discussão está relacionada à necessidade de combater o que considera excessos no sistema de emendas e concentrar recursos em projetos de maior alcance.

O episódio ocorre em uma disputa eleitoral na qual os dois senadores buscam a reeleição e integram grupos políticos diferentes. A pesquisa Quaest divulgada em 27 de agosto mostra Rui Costa com 23%, Wagner com 17%, João Roma com 7% e Coronel com 5% na corrida pelas duas vagas ao Senado pela Bahia.

Fonte: Clique aqui

Gostou dessa postagem?
Compartihe..