Flávio Bolsonaro diz que será eleito presidente do Brasil
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu, durante entrevista à Globo nesta sexta-feira (28), sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou que não houve qualquer irregularidade na busca por recursos para o filme Dark Horse, produção sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
O senador também criticou o governo de Lula da Silva (PT), responsabilizou o presidente pelo tarifaço aplicado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e reconheceu que seu irmão, Eduardo Bolsonaro, errou ao comemorar as tarifas. A entrevista foi conduzida pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Relação com Daniel Vorcaro
Flávio afirmou que não vê problema em ter procurado Vorcaro para buscar patrocínio para o filme. Segundo o candidato, o contato com o ex-banqueiro estava relacionado exclusivamente à produção cinematográfica.
Ele disse que os recursos não foram destinados diretamente a ele e sustentou que não houve dinheiro público envolvido no projeto. Também afirmou que a produtora realizou uma prestação de contas antes do prazo de 30 dias que havia estabelecido.
O tema ganhou destaque após a divulgação de áudios em que Flávio aparece pedindo R$ 61 milhões para a produção de Dark Horse. Segundo informações divulgadas pelo g1, porém, um perito contratado pela produtora afirmou que não teve acesso ao fundo americano que recebeu recursos atribuídos a Vorcaro e não apresentou documentos que permitissem rastrear parte dos valores.
Flávio também foi questionado sobre uma visita a Vorcaro no fim de 2025, quando o empresário já estava preso e usava tornozeleira eletrônica. O candidato não respondeu diretamente se considerava adequada a visita e afirmou que sua relação com o ex-banqueiro era privada.
Vorcaro é investigado pela Polícia Federal em diferentes frentes relacionadas a suspeitas de crimes financeiros.
Tarifaço e Eduardo Bolsonaro
Ao abordar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump ao Brasil, Flávio atribuiu a responsabilidade ao presidente Lula e afirmou que o governo brasileiro teria contribuído para a adoção das medidas.
O candidato, entretanto, reconheceu que Eduardo Bolsonaro errou ao agradecer publicamente pelo tarifaço. Ao mesmo tempo, defendeu o irmão e afirmou que ele não pediu a aplicação das tarifas contra empresas brasileiras.
Flávio disse ainda que, caso seja eleito, não colocará o Pix em uma eventual negociação com os Estados Unidos.
Segundo o senador, o sistema de pagamentos é uma ferramenta brasileira e deve permanecer fora de negociações internacionais. A declaração ocorre após manifestações de Eduardo sobre a possibilidade de discutir o tema no contexto das relações entre Brasil e Estados Unidos.
Resultado das eleições
Questionado sobre a segurança do processo eleitoral, Flávio afirmou que respeitará as eleições e o resultado.
No entanto, quando foi perguntado especificamente se aceitaria o resultado caso fosse derrotado, o candidato não respondeu de maneira direta. Em seguida, afirmou que não pretende perder a disputa e declarou acreditar que poderá vencer ainda no primeiro turno.
Flávio também reconheceu ter divulgado anteriormente uma informação incorreta sobre a origem das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil. Segundo ele, a empresa não era venezuelana, como havia afirmado, mas participou de alguns processos relacionados ao sistema eleitoral.
Críticas ao STF e ao 8 de Janeiro
Durante a entrevista, o candidato voltou a criticar a condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal e classificou o processo como uma tentativa de retirar o ex-presidente da vida pública.
Flávio também foi questionado sobre os atos de 8 de Janeiro e sobre depoimentos de militares que relataram pressões para uma ruptura institucional no fim do governo Bolsonaro.
Ao responder, afirmou que eventuais responsabilidades deveriam ser atribuídas individualmente a quem tivesse participado de qualquer tentativa de golpe. Também criticou depoimentos de ex-comandantes militares usados no processo contra seu pai.
O candidato defendeu mudanças na estrutura do Supremo e afirmou que pretende ampliar o que chamou de segurança jurídica caso seja eleito.
Promessas econômicas e para a saúde
Na área econômica, Flávio defendeu um ajuste fiscal e prometeu reduzir despesas públicas. O candidato afirmou que pretende diminuir o número de ministérios, cargos comissionados e gastos administrativos, mas não apresentou durante a entrevista um valor específico para o corte ou um cronograma para redução da dívida pública.
Sobre o salário mínimo, não detalhou se manterá a atual fórmula de reajuste, que considera a inflação e o crescimento do PIB. Disse, porém, que não pretende reduzir benefícios de aposentados ou prejudicar a população de menor renda.
Na saúde, Flávio indicou o médico Claudio Lottenberg como possível ministro da área em um eventual governo. Ele afirmou que pretende modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar a qualidade do atendimento público.
A entrevista de Flávio faz parte da série da Globo com candidatos à Presidência da República.
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